Política, Tecnologia e Mídias Sociais
Comunicar é reduzir distância
Comunicação como ética, da escuta às plataformas.

O que você vai estudar.
Como uma igreja comunica sem virar propaganda? Com curadoria de Fernanda Kivitz, do Instituto Galileia, o curso reúne quatro vozes da comunicação cristã. Fernanda propõe a comunicação como ética, a partir da escuta em Christian Dunker, de Rancière, Larrosa e Echeverría. Lísias Paiva mostra que comunicar é reduzir distância e que cada plataforma recompensa um comportamento. Fefê Resende imagina a internet como uma grande festa sem palco, onde se chega pela identidade e se fica pelo relacionamento. Douglas, com mais de dez anos à frente da comunicação da IBAB, fala de voluntários, coerência e estética. Luke Martins, da Umbrella, lembra que toda igreja já é produtora de conteúdo. O curso termina no caso da série Fé na sua fé e na insistência em dizer.
- ProfessorsFernanda Kivitz e convidados
- FormatoOnline, gravado, no seu ritmo
- Aulas23 aulas curtas, de 11 minutos em média
- Carga4h22 em 5 módulos
- LegendasPortuguês
- AcessoComputador e celular
- CertificadoNos cursos livres ao vivo, para os planos Avançado e Fundador/a
Módulos e aulas.
23 aulas em 5 módulos. Quando a plataforma abrir, a primeira aula será gratuita: basta criar a conta, sem cartão de crédito.
MÓDULO 1A escuta como ética da comunicação
5 aulas
O módulo abre o curso com a apresentação de Fernanda Kivitz por André Anéas, que defende que na comunicação pastoral nada é perfumaria. Fernanda conta sua trajetória entre a sociologia, a educação e o IBAB Criança na pandemia, e narra o nascimento do Instituto Galileia em 2024, a partir do Conversas Pastorais, para formar pastores e igrejas comprometidos com a justiça. Expõe o desafio de uma audiência plural, os desigrejados que ainda querem pertencer e o que o instituto aprendeu testando formatos. Propõe então a comunicação como ética e não como técnica, com quatro referências: a escuta em Christian Dunker, o mestre ignorante de Jacques Rancière, a experiência em Jorge Larrosa Bondía e as palavras que criam mundos de Rafael Echeverría. Termina pensando a igreja como lugar de descanso.
- Abertura: o LabTEM e a trajetória de Fernanda KivitzAndré Anéas apresenta o LabTEM, braço educacional da Editora Recriar, que preza a pluralidade e quer que o aluno aprenda a produzir teologia em vez de ser catequizado. Apresenta Fernanda Kivitz, socióloga, mestre em educação e currículo pela PUC-SP e executiva do Instituto Galileia, e lembra que, na comunicação pastoral, nada é perfumaria. Fernanda anuncia o percurso do curso, com Lísias Paiva e, depois, Fefê Resende, Douglas e Luke Martins. Conta sua iniciação científica de 2008 sobre Valdemiro Santiago, no campo de mídia e religião, os dez anos formando professoras de escolas públicas, o mestrado sobre creche e justiça curricular com Branca Ponce e a igreja virtual que o IBAB Criança criou na pandemia.
- O Instituto Galileia e o desafio da audiênciaFernanda Kivitz conta como o Conversas Pastorais, criado em 2015 com os pastores da IBAB, virou refúgio depois do bolsonarismo, quando muitos pediam um posicionamento sobre a democracia e era preciso entender por que o voto evangélico vai majoritariamente para a extrema direita. Diz que nesse período se converteu aos pastores, e daí nasce o Instituto Galileia, em outubro de 2024, para formar pastores e igrejas comprometidos com a justiça e atuar na fronteira, como diplomacia entre mundos. Expõe a dificuldade de dar contorno a um público que reúne crentes, desigrejados, ateus e espíritas, e, com o vídeo da pastora Helena Raquel, pergunta como furar a bolha do algoritmo sem buscar viralizar e sem os jargões de sempre.
- O Conversas, os desigrejados e o pertencimentoFernanda Kivitz narra a metamorfose do Conversas: os pastores deixaram de ir, por agendas insanas e pelo desejo de ambientes menores, e o encontro virou espaço de letramento para quem gosta daquela leitura do Evangelho, crente ou não, hoje com público majoritariamente feminino. A partir das perguntas feitas no encontro com o pastor Henrique Vieira, distingue dois desigrejados: o que cansou de um formato mas ainda quer pertencer e o que se desinstitucionalizou de vez, e lembra que a igreja é resposta contundente ao desejo de comunidade. Conta como o instituto testou formatos e concluiu que pastores querem profundidade e pequeno grupo, como nas imersões com Lisa Harper sobre igreja antirracista e com Francisco Orofino sobre justiça na Bíblia.
- Dunker e a escuta como ética da comunicaçãoFernanda Kivitz afirma que boa parte do que o instituto faz é dizer, num momento em que a mídia de massa difunde um evangelho distorcido, distante da teologia latino-americana, da libertação e da missão integral. Pergunta o que, como, para quem e quando dizer, e traz A paixão da ignorância, de Christian Dunker: o professor foi forçado a falar sem escutar, e todo processo colonizador começa por exigir do outro que fale a minha língua. Propõe uma comunicação e uma pastoral para e pela escuta, que cria vínculos em vez de preencher vazios. Com Martin Buber e a outridade, mostra que o algoritmo fez do próximo aquele que pensa como eu, ao contrário do Evangelho, e conclui que a escuta, como a comunicação, é uma ética e não uma técnica.
- Ignorância, experiência e palavras que criam mundosCom O mestre ignorante, de Jacques Rancière, Fernanda Kivitz defende falar a partir do que se ignora, perguntando, num jeito inspirativo e formativo, não dogmático nem catequético. Lê Notas sobre a experiência e o saber de experiência, de Jorge Larrosa Bondía: experiência é o que nos acontece, e seus inimigos são o excesso de informação, o excesso de opinião, a falta de tempo e o excesso de trabalho, que aproxima de Byung-Chul Han e da sociedade do cansaço. Daí pede menos fala e mais espaço para a experiência do Evangelho. Com a ontologia da linguagem de Rafael Echeverría, pergunta que mundo as palavras do pastor criam. Responde à turma com a amiga que, numa igreja na Inglaterra, descobriu ir ao culto para descansar, e pensa a igreja como descanso.
MÓDULO 2Plataformas, atenção e clareza
3 aulas
No segundo módulo, Fernanda Kivitz apresenta Lísias Paiva, profissional de comunicação especializado em internet, plataformas, cultura digital e linguagem para marcas. Ele parte de uma constatação: ninguém acorda procurando o Instagram da igreja, que disputa atenção com meme, futebol, TikTok e Netflix. Distingue publicar de comunicar, define comunicação como redução de distância e lê Paulo, que se fez judeu para os judeus, e Habacuque, que manda escrever a visão de modo legível para quem passa correndo. Mostra que cada plataforma recompensa um comportamento: Instagram, identidade; TikTok, descoberta; WhatsApp, confiança; YouTube, aprofundamento. Termina com regras de clareza, o uso da inteligência artificial e a comunidade como principal mídia, porque comunicação é cultura, não departamento.
- Comunicar é reduzir distânciaFernanda Kivitz recebe Lísias Paiva, profissional de comunicação especializado em internet, plataformas, cultura digital e linguagem para marcas, e liga sua fala à ontologia da linguagem, a ideia de que a linguagem cria mundos. Lísias parte de que ninguém acorda procurando o Instagram da igreja: as pessoas acordam cansadas, ansiosas e distraídas, e a igreja disputa atenção com meme, futebol, TikTok, política e Netflix. Distingue publicar de comunicar e analisa artes confusas, cheias de fontes, e listas de nomes. Define comunicar como reduzir distância de idade, linguagem e repertório, lê Paulo, que se fez judeu para os judeus e fraco para os fracos, e contrasta um aviso burocrático, com linguagem de cartório, com sua versão simples.
- Cada plataforma recompensa um comportamentoLísias Paiva lembra que toda tecnologia parece errada no começo: o rádio e a televisão pareceram superficiais, a internet já foi chamada de comunicação do demônio, e hoje o TikTok cresce entre os mais velhos. Lê Habacuque, escreve a visão e torna-a bem legível sobre tábuas para que a possa ler quem passa correndo, como um outdoor num tempo de muita informação e pouca atenção. Mostra que a recusa e a ausência também comunicam distância, como os termos internos ou o tom de repartição pública. Apresenta as redes como comportamentos: Instagram, identidade; TikTok, descoberta pelo interesse; WhatsApp, confiança e acesso aos telefones; YouTube, aprofundamento. Diz que o algoritmo não odeia a igreja: recompensa retenção, interesse, emoção e clareza.
- Clareza, comunidade e cultura de comunicaçãoLísias Paiva compara duas artes de Santa Ceia: uma com fontes demais, foto filtrada, pouco contraste e sem dia nem hora; outra com uma bandeja servida como nas igrejas e a informação direta, 9h30 neste domingo. O problema, diz, não é espiritual, é legibilidade. Lista regras: uma ideia por post, menos texto, rostos humanos, áudio e os três primeiros segundos do vídeo; pede originalidade em vez de cópia e afirma que a comunidade viva é a principal mídia e que comunicação é cultura, não departamento. Diante das perguntas da turma, defende a simplicidade para quem está sem tempo, a inteligência artificial como ajuda na redação para adolescentes ou para a SAF, o WhatsApp para avisos urgentes e lembra que perfil abandonado também comunica.
MÓDULO 3A internet como uma grande festa
7 aulas
Apresentada por Fernanda Kivitz, a consultora de comunicação pessoal Fefê Resende, que trabalha há 24 anos com identidade e autoexpressão, imagina a internet como uma grande festa sem palco, do tamanho de 1900 Maracanãs lotados, onde se encontra a própria turma puxando conversa boa, e não falando como propaganda. Sua metodologia passa por identidade, com tema guarda-chuva, palavras-chave, jeito de falar e linguagem visual; por ferramentas, com um espaço institucional e um social e a inteligência artificial como meio; e por relacionamento, em que se fala com as pessoas, e não para elas. O caminho vai da afinidade à reputação e se sustenta num bloco semanal com banco de ideias e calendário editorial. No fim, ela responde à turma sobre começar, persistir e cuidar da linguagem visual.
- A internet como uma grande festa sem palcoFernanda Kivitz apresenta Fefê Resende, que nesta manhã de sábado passa da conversa conceitual da véspera para o como fazer. Fefê parte da pressão coletiva de falar de si e do próprio trabalho sem manual nem código de ética, que pesa na saúde mental, e afirma que a comunicação é parte do trabalho, com seu devido tamanho. Anuncia três pilares, identidade, ferramentas e relacionamento, para uma construção de médio e longo prazo. Propõe imaginar a internet como uma grande festa de 1900 Maracanãs lotados, onde até quem não posta já está e onde não há palco: Barack Obama, Beyoncé e o pastor Ed René Kivitz dançam na mesma pista. Como num happy hour, ninguém aborda o vizinho com propaganda; faz-se amizade sendo interessante e puxando conversa boa.
- Da afinidade à reputação, longe da propagandaFefê Resende apresenta identidade, ferramentas e relacionamento como chão firme que permite ser espontâneo sem manual. Descreve o caminho de quem circula na festa sendo interessante: a afinidade vira proximidade, familiaridade, confiança e reputação, chão do relacionamento que abre mais portas do que currículo. Critica os bordões da inteligência artificial usada sem pensamento crítico, como o você já parou para pensar e o para quem não sabe, que faria Paulo Freire se revirar no túmulo, e evoca Os quatro compromissos, de Dom Miguel Ruiz: não presumir nada e chegar sem arrogância. Pede largar o imperativo da propaganda e o tom formal da mídia tradicional e escrever como se fala, pois vivemos a pré-história da autopublicação.
- Identidade: tema, palavras-chave e linguagemFefê Resende define a identidade em presença online como conteúdo e linguagem. O conteúdo parte de um grande tema, guarda-chuva das conversas, que no caso dela é a comunicação pessoal e já foi o vestir; dele saem palavras-chave, como branding, autenticidade e presença online, que formam uma nuvem vista de longe pela própria turma e podem ser salpicadas em filmes, comidas e bastidores do trabalho. A linguagem é o jeito, poético ou analítico, do textinho ou do vídeo, e também a linguagem visual, que não está dada e se constrói limitando cores, fontes, formas e imagens. Num parêntese, rebela-se contra a regra dos três segundos de atenção, defende alternar formatos e o textão de vez em quando e distingue sua proposta do marketing que chantageia.
- Ferramentas: espaços institucionais e sociaisFefê Resende passa às ferramentas: escolher em que espaços da festa, do pancadão à varandinha do networking, a identidade flui melhor. Distingue os espaços institucionais, com menos barulho e mais profundidade, como o site próprio, o perfil de empresa no Google, o perfil preenchido do LinkedIn e a bio do Instagram, dos espaços sociais, como Reels, stories, YouTube, podcast, newsletter e o status do WhatsApp lembrado por Lísias Paiva, onde se paquera e é preciso constância. Defende a URL própria, pois Orkut e Snapchat acabaram, e trata a inteligência artificial como ferramenta, meio e não fim, prevendo que este tempo será lembrado como um grande mico, como o cigarro. Recomenda um espaço institucional e um social; mais do que isso exige equipe.
- Relacionamento se constrói na conversa e na respostaFefê Resende chega ao relacionamento: ninguém solta uma ideia e sai correndo, pois conversa é diálogo, e cultivar vínculo nada tem a ver com engajamento ou retenção. Prova que se constrói vínculo pela rede com a amizade que tem com Fernanda Kivitz e com Lísias Paiva, e diz que, se Marcelo Tas lhe perguntasse no Provoca o que é a vida, responderia que é circular numa festa maluca, como no Ensaio sobre a cegueira. Pede que se fale com as pessoas, e não para elas, como quem está na pista e não no palco, e que comentários e respostas sejam tratados como produção de conteúdo. Sugere aproveitar os 400 seguidores para a troca e construir significado além da postagem, que esfarela na linha do tempo.
- A prática semanal: banco de ideias e calendárioFefê Resende deixa a ideia mais importante da manhã: a prática melhora todas as práticas; como canta Tiago Iorc, quem sete vezes cai levanta oito. Sugere fixar na agenda, como uma terapia, um bloco semanal para planejar e produzir, e lembra o ciclo da medicina ayurvédica: ingerir, digerir e expressar. Antes do calendário de comunicação vem o calendário do trabalho, com viagens, congressos, datas comemorativas e aniversários, como os 89 anos da IBAB. Propõe dois suportes: um banco de ideias, em caderno, notas, Notion, Evernote ou Trello, e um calendário editorial numa folha, com dias, ferramentas, temas, palavras-chave e imagens, produzido longe do campinho do celular. Termina grata à internet e quer ser a última a sair da festa.
- Começar, persistir e dar forma visual às ideiasA um participante, pastor com outra profissão que cuida de quatro perfis, Fefê Resende diz que ele já precisa de ajuda, e cita um estudo segundo o qual quem cuida da própria comunicação faz o trabalho de nove profissionais. Compara o começo à autoescola, com o carro morrendo na embreagem, e lembra um estudo de universidade inglesa: ninguém está nem aí para a gente na internet, o que liberta para experimentar. A quem perdeu seguidores ao mudar suas postagens, diz que, movido por um propósito, não dá para parar, e evoca o lema de Marie Forleo, Proudly not for everyone. A uma pergunta sobre estética e conteúdo, afirma que a demanda visual é tão importante quanto a das ideias e conta que nunca gravou vídeo falando para a câmera.
MÓDULO 4A área de comunicação da igreja
4 aulas
O módulo traz Douglas, apresentado por Fernanda Kivitz como amigo de décadas e referência em comunicação de igrejas: esteve 25 anos na IBAB, coordenou sua comunicação de 2015 a 2025 e hoje está na Igreja Batista do Morumbi. Ele conta como passou de menino do som a coordenador e mostra que a comunicação na igreja depende de voluntários, que precisam ser pastoreados e reunidos em clima de festa. Apresenta sua regra dos três Cs e meio: coerência, constância, cópia e um pouco de criatividade, com a Mosaic como referência. Trata da estética como identidade, de cavar a parede da igreja até achar o original, da origem da parede preta com a chegada do vídeo e do palco arrumado como comunicação. Termina defendendo a igreja online como ajuda, nunca como substituta do encontro.
- Voluntários, pastoreio e festa na comunicação da igrejaFernanda Kivitz apresenta Douglas, amigo de décadas e referência em comunicação de igrejas, à turma da pós. Ele conta que caiu na área por entusiasmo: virou o menino do som, que pegou a câmera, ligou o projetor e a luz porque era o que havia. Chegou à IBAB em 2001, virou voluntário oficial em 2003 e foi contratado em 2005, no tempo do Orkut, antes de Facebook, Instagram e transmissão. Mostra que a comunicação da igreja opera diferente da secular porque trabalha com irmãos, como o motorista de Uber ou o médico que ajuda no som. Depois de 25 anos na IBAB, coordena a comunicação da Batista do Morumbi e vê no voluntariado o maior gargalo, sustentado por pastoreio, festa, camiseta, crachá e um café da manhã semanal que vira pequeno grupo.
- Coerência, constância, cópia e um pouco de criatividadeDouglas, formado em história pela PUC de São Paulo, apresenta sua regra dos três Cs e meio. A coerência o impede de usar a brincadeira do balde do TikTok ou a música do momento: a igreja deve ser o restaurante japonês que vende comida japonesa, e quem faz a comunicação precisa ouvir o sermão. A constância, versículo número um do digital, exige emocional quando 98 de cada 100 cortes têm pouco alcance, e cria o fio histórico da comunidade. A cópia vem de uma lição de Ed René Kivitz: não existe original, existe quem oculta as fontes; ele escolhe referências como a Mosaic e conta como palcos pintados de preto, na IBAB, no Morumbi e na New Life de Boston, acharam identidade copiando. Tudo regado a festa, com voluntários que mantêm um padrão de produtora.
- Estética e identidade: cavar a parede da igrejaDouglas diz que hoje o pastoreio também passa pelo digital: o corte do sermão pesca quem esteve no culto e não guardou a pregação. Perguntado se a identidade vem antes da estética, propõe cavar a parede até achar o original e critica a cópia fake de 90% das igrejas, que compram o pacotinho de parede preta e painel com bolinhas do Windows, ou entregam o digital a quem não consome a igreja, servindo comida mexicana no restaurante italiano. Sua referência estética é o Sesc, de tijolo e concreto à mostra. É só tinta: se não gostar, pinta de novo. Lembra que quem vê o copo no chão é responsável por ele, condena mochilas e garrafinhas no palco e explica que o preto nasceu para esconder fios quando chegou a câmera.
- A igreja online como ajuda, a comunidade como encontroFernanda Kivitz pergunta se o futuro da igreja é online. Douglas reconhece a ajuda da inteligência artificial, mas, com o podcast Elefante na Neblina, teme dar mais valor ao robô que à humanidade. Defende a igreja online, mas lembra a um amigo de Cuiabá, que não acha igreja onde conviver e se diz da IBAB online, que comunidade é tomar café, sentir o cheiro e aprender a conviver com o diferente. Retoma as três igrejas de uma palestra de Ed, de Jesus, dos apóstolos e do Espírito, diz que o time fechado sustenta a instituição, mas a saúde está em transitar, e pede aos desigrejados que escolham uma igreja para abençoar. Fora do Morumbi, frequenta a Comunidade de Jesus, no Campo Belo, de piano e hinário, onde ouve Deus dizer: desliga.
MÓDULO 5A igreja como produtora de conteúdo
4 aulas
O módulo traz Luke Martins, da produtora Umbrella, nascida em Dublin entre músicos de rua, para pensar a produção audiovisual hoje. Ele mostra que todo conteúdo, do stories ao filme de Hollywood, passa pelas mesmas três colunas, pré-produção, produção e pós-produção, e sustenta que igrejas e pastores sempre foram produtores e criadores de conteúdo, com sermões, mensagens e eventos. Discute equipe interna ou terceirização, o retorno do investimento, a vantagem de quem já tem comunidade e a pandemia, que acelerou essa percepção na IBAB e em tantas igrejas. Na parte final, Fernanda Kivitz apresenta o caso da série Fé na sua fé, do Instituto Galileia, retoma a trilha do curso e, diante da máquina de desinformação da extrema direita, defende a insistência em dizer.
- Da Umbrella às três colunas da produção audiovisualFernanda Kivitz recapitula o percurso da pós em práticas pastorais contemporâneas, do Instituto Galileia à conversa com Douglas, e apresenta Luke Martins. Ele conta que começou na indústria fonográfica, com videoclipes, DVDs e shows do segmento gospel, e que em Dublin, na Irlanda, produziu com outros brasileiros um evento que levava os músicos de rua, os buskers, para os pubs, trocando fotos, áudio e vídeo pelas apresentações. Quando foi preciso assinar o trabalho, o grupo adotou o nome Umbrella, que há mais de dez anos atua no Brasil. Descreve um setor criativo em transformação, em que toda organização precisa de conteúdo interno ou externo, e mostra que todo projeto passa por pré-produção, produção e pós-produção.
- Toda igreja já é uma produtora de conteúdoLuke Martins lembra a tese que defendia havia quase dois anos, a de que toda empresa viraria produtora de conteúdo, e a estende às igrejas, onde já dirigiu programas de TV. O uso dos canais já foi compreendido; o desafio é o como. Repassa a digitalização de 2005 e 2006, as redes sociais, a troca da propaganda na TV pelos influenciadores e a creator economy. Perguntado se toda igreja será produtora e todo pastor criador de conteúdo, responde que já eram, pois vivem de sermões, mensagens e eventos, como uma agência. Compara a internalizar um núcleo como o RTV das agências, acrescenta às três colunas a estratégia e a veiculação, discute equipe própria ou terceirizada e o retorno do investimento e recomenda buscar quem já fez esse caminho.
- A vantagem da comunidade e a lição da pandemiaLuke Martins observa que as instituições religiosas saem na frente porque já têm comunidade, ao contrário da empresa, que monta campanhas para formá-la; o dilema é onde investir, numa ONG de crianças ou em profissionais de conteúdo, e como fazer o conteúdo gerar parcerias e receitas. Mostra que o nome creator hoje abrange do roteirista ao autor de livro e que o pastor, com autoridade e influência, já era formador de opinião, mas sem intencionalidade. A pandemia acelerou essa percepção: a IBAB já tinha recursos, os departamentos criaram eventos online e o infantil gravou histórias e esquetes para o YouTube. Cita igrejas americanas habituadas ao espetáculo, o conteúdo que leva pautas às famílias e a experiência do público online.
- O caso Fé na sua fé e a insistência em dizerFernanda Kivitz retoma a trilha do curso, da estratégia de Lísias Paiva às palavras-chave de Fefê Resende, e conta o caso da série Fé na sua fé, que o Instituto Galileia criou a pedido de duas universidades que pesquisam poder e religião na América Latina: entrevistas do pastor Ed René Kivitz sobre democracia, o futuro do Brasil e o papel da religião, produzidas com a Umbrella. Como tudo comunica, explica a escolha de três cenários, plantas, poltronas e cores, com orçamento baixo. Lembra que o ofício do pastor é dizer e pergunta que palavra, quando e para quem. Diante das perguntas da turma, aponta a máquina de desinformação da extrema direita, ligada à família Bolsonaro, assume que o campo progressista será minoria e pede insistência.
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