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Curso online · Teologia

Teologias de Libertação

A liberdade que nasce da vida

Seis módulos com Ivone Gebara sobre a liberdade que nasce da vida, do mito do paraíso ao feminismo.

41 aulas6 módulos 7h50 de conteúdolegendas em português
Professora
Ivone Gebara, professora do curso Teologias de Libertação
Ivone GebaraDoutora em Filosofia (PUC-SP) e em Ciências da Religião (Louvain)
Sobre o curso

O que você vai estudar.

O que quer dizer liberdade, e quem decide o que ela é? Ivone Gebara, filósofa e teóloga feminista, doutora pela PUC-SP e por Louvain, refaz o caminho das teologias da libertação a partir da vida concreta. Começa pela palavra liberdade, que nunca é pura, e lê o Gênesis 3 como mito: fora do paraíso, a condição humana é mistura de bem e mal. Passa pela liberdade de Jesus contra o culto da ordem, pelas ditaduras que despertaram a teologia latino-americana, pelo ver, julgar e agir das comunidades e pelo fim de um ciclo nas igrejas. Lê Vallejo e Arguedas para perguntar quem é Deus, e termina propondo libertar-se dos dualismos: a casa comum, a interdependência, o feminismo e o pluralismo que entra nas igrejas.

  • ProfessoraIvone Gebara
  • FormatoOnline, gravado, no seu ritmo
  • Aulas41 aulas curtas, de 11 minutos em média
  • Carga7h50 em 6 módulos
  • LegendasPortuguês
  • AcessoComputador e celular
  • CertificadoNos cursos livres ao vivo, para os planos Avançado e Fundador/a
Programa

Módulos e aulas.

41 aulas em 6 módulos. Quando a plataforma abrir, a primeira aula será gratuita: basta criar a conta, sem cartão de crédito.

MÓDULO 1

A liberdade e o mito do paraíso

10 aulas

O primeiro encontro prepara o terreno antes de qualquer teologia. Ivone Gebara propõe começar pelo próprio conceito de liberdade, palavra bonita e gasta, ambígua e usada por todos os poderes, do livre mercado às guerras que se dizem libertadoras. Para ela, a liberdade nasce de um mal-estar pessoal e coletivo e é antes um chamado, como em Paulo, do que uma posse. Pede uma observação nua da experiência e mostra, com histórias de rua, como o olhar carrega traves. Em diálogo com a turma, passa por Cecília Meireles, Edith Stein, a empatia e a contaminação, e propõe a interdependência para superar o dualismo entre escravo e livre. Depois lê com a turma Gênesis 3 como mito: a serpente, a proibição, a escolha, a desobediência, a quebra de confiança e a saída do paraíso, onde a liberdade de fato começa.

  1. A liberdade é uma palavra ambíguaO LabTEM, braço educacional da Editora Recriar, abre o curso dentro da pós-graduação em prática pastoral contemporânea e apresenta a professora: Ivone Gebara, teóloga feminista e ecofeminista, doutora em filosofia pela PUC-SP e em ciências da religião pela Universidade Católica de Louvain, professora de filosofia e teologia no ITER, em Recife, por quase 20 anos, e membro das Irmãs de Nossa Senhora. Ela explica por que começa pela liberdade antes de falar das teologias da libertação. A palavra parece luminosa e poética, mas não tem um único sentido: hoje é vendida como mercadoria, entra no jogo das paixões e dos interesses pessoais, grupais e corporativos, e essa ambiguidade vai reaparecer nas próprias teologias libertárias.
  2. A liberdade nasce de um mal-estarCada grupo que se diz detentor da liberdade a fixa segundo sua própria interpretação, dos que tomam o poder aos grupos religiosos. Lembrando a frase de Paulo, somos chamados à liberdade, Ivone Gebara a entende como chamado que se experimenta por dentro, na forma de um mal-estar no sujeito, na família, na comunidade e no país, uma luzinha que diz que é preciso sair. A eleuthería grega indica superar limitações em vista da vida. A professora mostra o sentido dialético da palavra: quem proclama a libertação das mulheres pode ser quem as ata, quem mantém a escravidão é escravo da própria opção, e o livre mercado é um mercado escravo. Um indivíduo não livre vive numa sociedade não livre, como em Freud, O mal-estar na civilização.
  3. A observação nua do que chamamos liberdadeA professora propõe um método, a observação nua: olhar o que se vive como liberdade sem recorrer logo ao que dizem os autores. Um morador de rua lhe diz que é totalmente livre, livre de ter casa, até admitir que não é livre do crack. A liberdade não é realidade pura e hoje toca também a dominação da natureza e os projetos de habitar outros planetas. Com a imagem evangélica da trave no olho, Ivone Gebara lembra que olhamos o outro cheios de preconceitos e que o conhecimento tem limites. Conta a história do rapaz que pediu um docinho na porta da padaria e recebeu dela um pedaço de bolo, mais substancioso, que deixou de lado: pensar a liberdade exige descobrir as carências vitais do outro antes de julgá-lo.
  4. Nem escravos nem livres: somos interdependentesA liberdade não existe isolada da vida social, política e ética. Ivone Gebara pede que se imagine estar no lugar de quem caiu na estrada e lembra a compra de votos no Nordeste, com tijolos e cestas básicas, em que a liberdade de votar vira sua morte. Somos seres híbridos, nem escravos nem livres, e o chamado tem de vir de dentro; não é liberdade a guerra em Gaza dita contra o Hamas, a da Ucrânia ou a imposição da cultura capitalista aos povos indígenas. A professora antecipa o que retomará nas últimas aulas: a perspectiva da interdependência, fundadora da materialidade da vida, da água ao agricultor. Critica o papel de censores da liberdade alheia e lembra a samaritana, reconhecida por Jesus sem ser condenada.
  5. A liberdade se prova na carne, na vida realRespondendo à turma, que trouxera Cecília Meireles e Edith Stein, a professora distingue o lirismo da liberdade da liberdade vivida. Os hinos pátrios cantam uma liberdade que mata, e Cecília Meireles pede que se apague um pouco a sua lucidez. A poesia cria o desejo, mas a liberdade se prova na carne, e de modo contraditório, como em Edith Stein, que deixa a carreira de filósofa para entrar no Carmelo. Há liberdades cerceadas pela ditadura, pela fome e pela falta de casa, mas há também algo que cada um experimenta por dentro, como vaga-lumes que pousam e vão embora. Ivone Gebara questiona ainda a ideia de que ser livre é não se prender ao outro: às vezes a liberdade é ficar presa ao cuidado de alguém.
  6. Empatia e contaminação: ninguém é totalmente livreIvone Gebara conta seu vínculo afetivo com Edith Stein, cujo nome estava na sala onde conversava sobre a vocação, e diz que entrar para a vida religiosa foi, para ela, uma experiência de liberdade, não de espaço ou de abundância, mas de descoberta de si. Daí a importância da empatia: diante dos presos gritando nas grades ou das filas para receber comida, a professora pergunta se é livre quem não pode escolher o próprio pão. Retoma a palavra contaminação, trazida por uma participante: somos uma mistura, e hoje a contaminação maior é a individualista, como num almoço em família em que todos só falam pelo celular. Ninguém é totalmente livre, e a verdade que liberta talvez seja saber que não somos.
  7. Gênesis 3 como mito: a proibição e a serpenteAntes da teologia, a professora pede à turma uma leitura de Gênesis 3 como mito, expressão cultural de um grupo e não registro histórico, atenta às motivações e à estrutura. A partir das falas dos participantes, destaca a proibição, que desperta o desejo, e a árvore do conhecimento do bem e do mal, sinal do universo mítico. Ninguém falou da serpente: o capítulo começa com ela, o mais astuto dos animais que Deus fizera, presente antes do ser humano, como se o mal fosse anterior a ele. Ivone Gebara lê Adão como barro e Eva como vida, inteligência e perspicácia, não segundo sexo, e mostra a tentação que vem de fora e de dentro: comer o fruto e ter os olhos abertos é um momento da evolução humana.
  8. O paraíso é ficção; a condição humana é realO paraíso nunca existiu, diz Ivone Gebara: o que existe é a história real de pessoas expulsas da própria terra, do meio ambiente e de uma certa harmonia, e é nessa condição que se exerce a liberdade, que tem história em cada um. As sentenças do mito refletem a sociedade patriarcal que produziu a Bíblia, a mulher submetida ao homem e o homem ferido pelos espinhos do trabalho, e a desobediência vira a desculpa dada à condição humana. Caim e Abel mostram que somos também fratricidas. A liberdade nasce da não liberdade, como na infância. Num diálogo com a turma sobre a imagem de um Deus masculino, a professora critica os discursos conservadores que alimentam as igrejas e o desconhecimento da ciência.
  9. A estrutura do mito: proibição, escolha e desobediênciaA professora pede que se releia Gênesis 3 e organiza sua estrutura. Primeiro a proibição, que nutre a prática da liberdade; depois a escolha e a desobediência, ao patrão, ao pai ou ao pastor, autoridades fundadas na imagem de um Deus macho. Vem a quebra de confiança, que só o dono vê assim, porque o escravo diz ter quebrado as cadeias, e por fim assumir as consequências. Ivone Gebara pede respeito aos mitos indígenas e africanos, como Iemanjá e as divindades do candomblé, e mostra o jogo de responsabilidades: Adão culpa a mulher, a mulher culpa a serpente, que não dissimula nada. O mito é patriarcal, mas expressa a condição humana, como o trabalho, palavra ligada ao tripalium, castigo.
  10. Fora do paraíso, a vida é mistura de bem e malOnde está a liberdade no mito? Com a turma, Ivone Gebara chega à resposta: ela começa fora do paraíso, na luta pela vida, como quem sai do útero ou das próprias convicções e precisa reconstruí-las. Lembra o mito de Lilith, que não entrou na tradição da Bíblia judaica, e descreve uma liberdade frágil, que recomeça sempre. Contra a lógica metafísica que faz Deus criar o mal, propõe uma lógica existencial: o bem de um é o mal de outro, como a abelha que ela soltou e a picou. Recusa as teologias dualistas, como a do fiel que atribui a Deus sua frota de táxis enquanto outros passam fome, lembra o meio divino de Teilhard de Chardin e o conhece-te a ti mesmo de Sócrates, e anuncia a liberdade na tradição cristã.
MÓDULO 2

A liberdade de Jesus e o despertar da libertação

8 aulas

A manhã do segundo encontro passa da filosofia ao evangelho. Ivone Gebara lê a liberdade no Novo Testamento como chamado e a liga ao Deus íntimo que Jesus chamava de Abba, longe do templo e perto do homem da mão seca, da mulher prostituída, dos famintos e dos leprosos. Para ela, essa liberdade incomodou a ponto da cruz e foi traída quando o cristianismo se aliou aos impérios, apesar das tentativas de Lutero, Francisco de Assis e Teresa de Ávila. Com Gálatas 5, propõe ver na libertação um livramento da morte em vida e um amor capaz de se indignar. Depois de ouvir a turma, apresenta o cristianismo como colcha de retalhos e de mitos e narra como, sob as ditaduras dos anos 1960, nasce a teologia da libertação, e como as igrejas se dividem entre libertação e tradição.

  1. Liberdade como chamado e o Deus íntimo de JesusDepois de ouvir como a turma se situou na reflexão do dia anterior, Ivone Gebara volta à cena de Adão e Eva escondidos atrás das árvores, que só aparecem cobertos, e mostra como sempre culpamos o outro. Começa então a falar da liberdade cristã: no Novo Testamento, a liberdade é um chamado, e não um ato. A professora propõe que o conflito de Jesus com seus contemporâneos vinha de outra imagem de Deus. Contra o Deus poderoso do êxodo e da arca, ele chamava Deus de Abba, palavra de intimidade. Na sinagoga só enxerga o homem da mão seca, em Marcos 3, e é fora do templo que encontra a mulher prostituída, os famintos e os leprosos, porque dentro dele há um poder que faz dobrar os joelhos.
  2. A liberdade de Jesus contra o culto da ordemComo quem muda a luz de um palco, a professora passa ao nosso tempo: a liberdade da balada de sábado, a do partido que quer impor sua ideologia, a de quem sonha sair da prisão. Ivone Gebara diz intuir, sem certeza, que a liberdade de Jesus provocava raiva, a ponto do grito para crucificá-lo e de a própria família achá-lo estranho. Ao chamar o homem da mão seca para o meio do culto do sábado, ele atrapalha o culto da ordem. Depois o cristianismo passa a cultuar um Jesus imperador, como numa imagem das catacumbas de Roma que ela descreve, e as igrejas se tornam suntuosas, como no anglicanismo, o que a professora chama de traição. A liberdade de Jesus se parece mais com a transgressão.
  3. A liberdade de Jesus é semente no coraçãoFomos educados para a lei, e não para a vida misturada, diz a professora, que lembra Geni e o Zepelim, de Chico Buarque, e admite as próprias reservas ao se aproximar de quem vive na rua. A liberdade que se capta nos evangelhos sinóticos não foi a difundida: Lutero escreveu sobre a liberdade cristã, Francisco de Assis e Teresa de Ávila tentaram restaurá-la, mas o mundo patriarcal tomou conta de Deus, de Jesus, de Maria e da Bíblia. Para Ivone Gebara, outro sentido da liberdade irrompe no coração, aguilhão que provoca a amar o que não pode ser amado, contra o policiamento do desejo da criança faminta diante da vitrine. É liberdade semente, que precisa ser cultivada, e outros movimentos, de Buda aos pajés, também chamaram à liberdade.
  4. Libertos da morte em vida: o amor que se indignaGálatas 5,1 diz que Cristo nos libertou para que gozemos de liberdade. Do que nos libertou, pergunta Ivone Gebara? Não da morte física, inerente à vida, apesar das fantasias sobre o céu, o purgatório e o inferno que ainda chegam à catequese. Seguindo a lógica de Jesus, a morte da qual ele quis livrar as pessoas é a morte em vida. O amor, para a professora, não é só romântico: é a capacidade de se aproximar do diferente e de se irar contra um sistema opressivo, como Jesus diante dos sepulcros caiados. Ela conta o sermão de dia dos pais, no México, interrompido por uma líder comunitária que não se sentou nem se calou. Amar o próximo como a si mesmo é permitir que a vida floresça, com comida e casa.
  5. Do legalismo à vergonha de possuir a verdadeA professora pergunta como a turma reage quando sua fala contraria o que se ouve nas igrejas, e as respostas a levam a um balanço. O cristianismo foi se tornando legalismo, que separa quem é e quem não é de Deus e quer converter os povos indígenas. Um participante fala de vergonha, e Ivone Gebara diz que todos deveriam sentir um pouco de vergonha de achar que possuem a verdade, Deus e o sentido da liberdade. Lembra Todo cambia, cantada por Mercedes Sosa, para dizer que até o amor muda. Jesus nunca se considerou Cristo, título que vem da comunidade, e seu caminho é de liberdade diante das próprias leis religiosas. Um relato da turma sobre Belém do Pará mostra as igrejas desamazonizando a população.
  6. Cristianismo, colcha de retalhos e de mitosAbrindo a introdução à teologia da libertação, Ivone Gebara aponta em todas as denominações uma traição do poder religioso, que passa a controlar as consciências. O caminho de Jesus não o livrou da cruz, e quando ele é resgatado pela comunidade, por Paulo e pelos evangelistas, nasce um cristianismo imperial. As reações protestantes se desdobram em presbiterianos, batistas e Assembleia de Deus, e cada denominação tem seus próprios conflitos: o cristianismo é uma colcha de retalhos, e o nome de Jesus abriga figuras diferentes. Como fez com Gênesis 3, a professora diz que a ressurreição e a ascensão são mitos, o que não quer dizer falsos, e mostra como as instituições se formam pela lei e pelo catecismo decorado.
  7. Ditaduras e o despertar da teologia da libertaçãoAté os anos 1960 o cristianismo latino-americano parecia estável, até que um mal-estar atravessa as igrejas protestantes e a católica, em parte pela ascensão das ditaduras militares, do golpe de 1964 no Brasil ao Chile, ao Uruguai e à Argentina. Ivone Gebara explica que a ditadura foi o ambiente, mas a percepção decisiva era outra: as igrejas, feitas de pobres, transmitiam conteúdos que não despertavam vontade de liberdade. Antes da teologia da libertação surgem a Ação Católica operária e camponesa e trabalhos de luteranos do Rio Grande do Sul e de batistas, como uma igreja em Olinda sem portas para abrigar quem não tinha casa. Relê-se a Bíblia a partir dos profetas, e vêm os livros de Rubem Alves e Gustavo Gutiérrez.
  8. Libertação ou tradição: as igrejas se fechamA teologia da libertação provoca um rebuliço nos conceitos teológicos e na linguagem de missas e cultos, mas também uma divisão entre adeptos da libertação, identificados ao comunismo, e adeptos da tradição, ligados à conservação do mundo liberal capitalista, divisão que, para Ivone Gebara, persiste hoje, quando essas teologias estão enfraquecidas, quase inexistentes. A partir de uma fala da turma sobre ecologia, ela teme que o tema seja reapropriado pelo cristianismo conservador, que aceita a ecologia e recusa o feminismo, e lembra o pedido de diaconisas na Amazônia não atendido pelo Papa Francisco. Pastoras luteranas reproduzem a mesma teologia, e figuras como Henrique Vieira e Ed René Kivitz são exceções criticadas.
MÓDULO 3

A libertação nas comunidades

4 aulas

A tarde do segundo encontro vai ao livro Teologia da Libertação, de Gustavo Gutiérrez. Ivone Gebara começa advertindo que libertação é palavra ambígua, que muitas vezes entrou nas igrejas como palavra mágica sem mudar a liturgia nem a teologia, e lê o trecho em que Gutiérrez define a teologia como reflexão crítica. Depois conta como, nos anos 70, o método ver, julgar e agir se espalhou em pequenas comunidades católicas e protestantes, com sociólogos, biblistas do CEBI, sindicatos e CEBs. Mostra os frutos dessa época no Recife de Dom Hélder Câmara e o fim do ciclo em cerca de vinte anos, pergunta à turma para que servem as igrejas hoje e nomeia o mal-estar diante das instituições. Fecha anunciando que algo novo vai nascer, mas não nessas igrejas.

  1. Libertação não pode ser só palavra mágicaAssim como liberdade, libertação é uma palavra complexa e cheia de ambiguidades, porque atualiza a liberdade em realidades muito diferentes: o campo, a cidade, as periferias, os intelectuais. Ivone Gebara lembra as provas que corrigia como professora de teologia sistemática no Recife, em que alunos escreviam sobre o perdão ou o amor de Deus na perspectiva da libertação e só acrescentavam a palavra ao discurso de sempre. O mesmo acontece nas igrejas, que adotam palavras novas e mantêm a liturgia e a homilia. A professora lê, traduzindo do espanhol, o trecho da introdução de Gustavo Gutiérrez sobre a reflexão crítica e propõe voltar à teologia como sabedoria.
  2. Ver, julgar e agir: a libertação nas comunidadesDepois de ouvir a interpretação da turma, a professora situa a América Latina dos anos 70, com regimes militares, pobreza e violência crescentes. O livro de Gustavo Gutiérrez, capelão universitário, é bastante teórico e foi escrito para teólogos e padres, uma elite que lê. Para quem não lê veio o método ver, julgar e agir, herdado da Ação Católica, praticado em pequenas comunidades. Havia especialistas no ver, os sociólogos da análise de conjuntura; no julgar, biblistas e teólogos, como no CEBI ecumênico de Milton Schwantes e Carlos Mesters; e no agir, sindicatos, CEBs, empregadas domésticas e trabalhadores rurais. Igrejas católicas e protestantes históricas acreditavam que o evangelho transformaria a realidade.
  3. O fim de um ciclo e o mal-estar nas igrejasA experiência deu frutos: posse de terra, casas populares, governos como o de Miguel Arraes e, no Recife de Dom Hélder Câmara, uma abertura ecumênica extraordinária. Em cerca de vinte anos quase tudo acabou, e Ivone Gebara diz não acreditar que a teologia da libertação possa ser resgatada, porque pertencia ao clima pós-conciliar e às reuniões do Conselho Mundial de Igrejas. Observa que Gutiérrez criticou os fundamentos da teologia sem criticar a imagem de Deus nem o papel de Jesus, e que a cristologia de Jon Sobrino impõe a categoria da libertação aos evangelhos. Pergunta à turma para que servem as igrejas hoje e reconhece um mal-estar comum, como quem perdeu a casa da família.
  4. Algo novo vai nascer, mas não nessas igrejasIvone Gebara aposta que algo novo vai nascer, mas fora das igrejas atuais, como nasceu do movimento de Jesus, expulso pela sinagoga e pelo templo. As comunidades não precisam ser eternas: basta que sirvam as pessoas, congreguem lutas por direitos e, se for preciso, morram. Lembra que Dom Hélder Câmara queria que o papa entregasse o Vaticano ao governo italiano, porque o movimento de Jesus quis ser fermento, e não Estado. Critica igrejas assimiladas ao poder, com bancos, palácios, redes de comunicação e bancadas no Congresso, e a exploração do trabalho feminino, das freiras sem salário às bordadeiras das vestes, com o caso de uma senhora pobre que recebia duzentos reais por mês na casa de um padre.
MÓDULO 4

Quem é Deus? Fé, poesia e seres misturados

9 aulas

O terceiro encontro parte dos trabalhos escritos pela turma sobre Gustavo Gutiérrez. Ivone Gebara destaca a leitura que recupera o poeta César Vallejo, inspirador de Gutiérrez, e discute a teologia como ato segundo, a fé como serviço à vida e o fazer teologia de baixo para cima. Propõe abandonar palavras gastas, inclusive teologia, e falar da vida, e critica o dualismo entre fé e razão com a imagem do tecido e seu avesso. Faz um balanço da teologia da libertação cinquenta e cinco anos depois e lê com a turma o início de Todas las sangres, de José María Arguedas, em que Gertrudes canta na igreja, para perguntar quem é Deus. Daí vêm o não saber, a certeza incerta, a vidalogia e os seres misturados, até a oração como encontro consigo mesmo.

  1. Vallejo, Gutiérrez e a fé como serviçoA professora comenta os trabalhos da turma sobre Gustavo Gutiérrez e começa pelo de uma participante que saiu do texto e trouxe o poeta César Vallejo, inspirador de Gutiérrez desde a juventude, com o poema Sermão sobre a morte, algo que os comentadores quase não fazem. Lembra que Rubem Alves faz crítica semelhante à teologia tradicional, com uma antropologia mais rente ao chão, e que Gutiérrez fala de libertação, e não de liberdade: não somos livres, mas podemos viver libertações, no plural. Discute a teologia como ato segundo, tendo a fé como primeiro ato, e prefere dizer serviço, cuidado e dar a mão, porque a palavra amor se gastou. Pensar a fé é servir a vida.
  2. Teologia que nasce da vida, não de palavras gastasA teologia da libertação começa de baixo, mas às vezes sobe e ninguém mais entende. Ivone Gebara diz que a própria palavra teologia é erudita, quase pretensiosa, e que já incomoda teólogas e teólogos. Muitas palavras significaram algo para o mundo medieval e não dizem mais nada hoje, como escatologia: uma senhora ouve um sermão sobre conversão e entende conversa, e um fiel analfabeto segura a Bíblia de cabeça para baixo. A professora propõe observar a vida, nomear o que é da vida e trocar o argumento de autoridade pela palavra vida. Discute com a turma a missão da igreja e a pastoral antes da teologia: a teoria é compreensão da prática, e um abraço não é teoria sobre o abraço.
  3. Fé e razão sem dualismo: o direito e o avessoToda a reflexão cristã nasceu de uma visão dualista, com os bons e os maus. Contra ela, Ivone Gebara retoma a imagem do tecido: o avesso, cheio de nozinhos, sustenta o direito, e quem o corta desmancha o tecido. A turma discute por que a teologia foi tida como metafísica e ciência maior e o encontro entre fé e razão, e a professora mostra que não há uma parte de nós que só crê e outra que só raciocina: a imaginação também tem racionalidade. Antecipa o texto de Arguedas, em que Gertrudes, de corpo disforme, canta na igreja sem teoria e abre a sensibilidade e a razão de quem ouve, como os spirituals negros. Também a teologia da libertação separou fé e razão.
  4. A teologia da libertação 55 anos depoisO livro de Gustavo Gutiérrez tem cinquenta e cinco anos e já fez história. A professora pergunta se as mudanças que ele propunha estão presentes nas igrejas da turma e constata que a expressão sobrevive em pequenos guetos, com algumas vozes como Ed René Kivitz. A pobreza era testemunho do desrespeito à criação e às pessoas, e a responsabilidade era nossa, não divina. Desde então a tragédia cresceu, com mais guerras, a Palestina e a fome na África, na Ásia e na América Latina, e o capitalismo se acirrou com a internacionalização do capital. Muitas igrejas pregam uma religião monetarizada, de milagres e promessas, com relações individualizantes e mágicas, e a sopa comunitária ou a creche viram curativo, e não transformação.
  5. Quem é Deus? Gertrudes canta no texto de ArguedasA turma lê o começo de Todas las sangres, de José María Arguedas, e a professora pergunta quem é Deus. No texto, nem o mestiço nem a indígena feia e aleijada servem para falar de Deus, e dom Bruno, outro personagem, introduz um Deus diferente e termina falando do diabo. Quando alguém diz que chama Deus de pai, Ivone Gebara aponta o equívoco: falamos de Deus porque não aceitamos a nossa finitude e criamos deuses à nossa imagem. O conceito de Deus é um conceito humano, e o divino é a vida que não sabemos o que é. Lutero criticou as imagens, e é preciso criticar também a linguagem de Deus quer, Deus sabe. A Bíblia é palavra humana, e o infinito se imagina, não se experimenta.
  6. Nada é só bom: a certeza incerta e o não saberO final do texto de Arguedas é dualista. Ivone Gebara sustenta que Deus está também em quem queimou as plantações, embora não como bondade, porque nada é só de um jeito, como no dilema de Jó. Dizer faça isso porque Deus quer é argumento de autoridade; melhor dizer me parece, uma certeza incerta, como o leite e o sal, bons ou ruins conforme a medida. Em vez da dualidade, as probabilidades e a multiplicidade: é o momento que dita a ação. A professora lembra os místicos medievais da nuvem do não saber, propõe pôr a palavra teologia entre parênteses e lê o Concílio de Niceia como construção do poder de Constantino. Construímos deuses com a nossa cara e condenamos em nosso nome.
  7. Somos seres misturados: vidalogia, Caim e AbelPara Ivone Gebara, dizer se Deus quiser significa hoje se as forças da vida permitirem: estamos nas mãos do desconhecido. O canto de Gertrudes desperta algo bom em quem ouve, como o outro ser humano, a floresta ou o mar, e provocar vem de vocare, chamar, numa brisa suave ou num tambor. Cada um quer que o seu Deus vença, como os jovens sicários da Colômbia que rezam antes de matar, e desmistificar isso evita a alienação. A professora chama de vidalogia o mergulho no mistério da vida e propõe a mistura como categoria antropológica: somos capazes de amor e de ódio, como mostram Caim e Abel, as guerras fratricidas e a inveja dos dois irmãos na parábola do filho pródigo.
  8. Cada um reza ao seu Deus: o mistério além do bemNo texto de Arguedas, o padre chama o mestiço e Gertrudes de ignorantes, mas o ignorante é o padre: eles têm um sentido que toca o coração. Diante do desconforto de um participante, Ivone Gebara admite o mesmo vício de identificar Deus com aquilo que ela julga ser o bem. Todo ser busca o próprio bem, e quem acumula dinheiro à custa dos pobres acha que faz o bem para si. Governantes que fazem guerra ou perseguem imigrantes também dizem agir pelo bem da nação, e a professora prefere denunciar o que fazem sem pôr Deus no meio. Os budistas não têm o conceito de Deus, porque a vida é fluir contínuo. Jó não negou a vida, e cada um reza ao seu Deus segundo seus interesses.
  9. Bom senso, bem coletivo e a oração como encontroNão conhecemos a totalidade das coisas, mas temos razão e bom senso: ninguém dá pedra aos filhos, e a vacina previne doenças. Ivone Gebara propõe educar o discernimento para o bem coletivo e lê a partilha dos pães: há fome porque não se divide, e isso é bom senso humano antes de ser mandamento. Leis injustas contrariam o que a convivência exige. Às vezes, usando a palavra Deus, ela se diz ateia, e sem usá-la não o é, porque percebe algo além de si. A oração é encontro silencioso consigo e com o próprio limite, como Jesus que se retirava sozinho, e pede uma educação da interioridade, como perguntar às crianças o que fariam com um chocolate. Canto e dança também são oração.
MÓDULO 5

Libertar-se dos dualismos

7 aulas

A manhã do último encontro parte das sínteses da turma sobre a superação dos dualismos, e Ivone Gebara admite que o dualismo também habita quem quer superá-lo. Ela fala das teologias da libertação no plural, a negra, a indígena, a ecológica e a feminista, nascidas de comunidades que ensinam outras visões do humano, e propõe a saída de uma metafísica hierárquica, androcêntrica, dualista e essencialista que legitima o poder. Critica a liberdade que apenas imita o opressor e a monetarização da ecologia, apresenta seu livro Teologia ecofeminista e mostra como a teologia excluiu a oikia, a casa comum, junto com mulheres e povos colonizados. Propõe a mistura, a interdependência e a relacionalidade como categorias de outra epistemologia e explica por que o feminismo afirma que nenhum corpo é segundo.

  1. O dualismo que também nos habitaA professora abre o dia ouvindo as sínteses da turma sobre a superação dos dualismos e anuncia o tema, as teologias da libertação no plural. Valoriza o desconforto como mestre e pede uma autocrítica que reconheça o dualismo em si, a atitude de achar que o próprio pensamento é sempre melhor que o do outro, lembrando o exame de consciência em Agostinho. Defende Platão de uma vulgarização teológica que identificou o mundo das ideias com o céu e cristianizou sua ideia de bem. Conta que a estrutura católica, dualista, tem dificuldade de aceitá-la, mostra a dualidade na desconfiança diante da palavra de uma mulher e, com Merleau-Ponty, afirma que a espessura do vivido é múltipla.
  2. As teologias da libertação no pluralIvone Gebara fala de posturas libertárias, e não só da teologia da libertação católica ou protestante. A teologia negra enfrenta a hegemonia da branquitude de um Ocidente que fez a teologia, e ela lembra James Cone, seu colega, e os títulos da editora Elefante. Ailton Krenak mostra nossa irmandade com árvores, rios e mares. Essas teologias foram ensinadas por comunidades negras, indígenas e de imigrantes, que também são em nós. A professora fala de uma interdependência econômica que monetariza as relações e implica cada um no sofrimento distante, como o da Palestina. Depois recorda o ecumenismo no Brasil: o ISER, com Zwinglio Dias e Rubem Alves, a formação ecumênica em São Paulo e uma associação internacional de teólogos.
  3. Libertar-se da metafísica hierárquica e androcêntricaA professora lembra o tempo em que um católico que assistisse a um culto protestante devia se confessar, e conta que depois lecionou em faculdades metodista e luterana. A época agora é de libertação de uma metafísica hierárquica, androcêntrica, dualista e essencialista. Explica o termo: o corpo vale por referir-se a algo além dele, as ideias de bem e de justiça. A Bíblia, escrito humano, foi transformada em metafísica sob o nome palavra de Deus, porque os poderes políticos e religiosos precisam de legitimação. Com Teilhard de Chardin, vivemos no meio divino, e ela prefere falar em mistério da vida. As teologias da libertação plurais ficam com os pobres e contra as hierarquias de raça, gênero, classe e origem.
  4. A liberdade que não imita o opressorA uma participante que viu na sua posição um enfraquecimento da luta pela ordenação de mulheres, a professora responde que as ordenações reproduzem o modelo da hierarquia clerical masculina, e propõe pequenas comunidades celebrativas, com lideranças que se revezam e mais proximidade ética. Em várias lutas, a feminista, a antirracista, a antimanicomial, a palavra chave é liberdade, mas liberdade para quê? Não para imitar o opressor: ela quer baixar os homens dos seus tronos falsos, e não subir para dar ordens. Critica a monetarização do meio ambiente nos produtos ecologicamente puros, o mercado que fabrica identidades e uma liberdade sem senso do bem comum, e aponta a lógica do medo que impede pensar.
  5. A oikia, casa comum excluída pela teologiaCom Teilhard de Chardin, Brian Swimme e Thomas Berry, o universo aparece como nosso corpo: sou água, ar e terra. A professora apresenta seu livro Teologia ecofeminista, de 1997, o primeiro sobre o tema no Brasil, depois traduzido e ampliado em inglês. O eco vem de oikia, a casa, que o discurso cristão tratou como domínio entregue ao homem; ela propõe uma reciprocidade de cuidado com a terra. A oikia foi excluída da teologia junto com os povos colonizados, nunca vistos como filhos de Deus, e com as mulheres, a serviço da colonização. O divino ficou branco e masculino, embora ruach seja feminina em hebraico, e a evangelização eliminou as crenças nativas, como lembra a história da Virgem de Guadalupe.
  6. Mistura, interdependência e relacionalidadeIvone Gebara propõe mudar a epistemologia que sustenta essas teologias: eu não observo o mundo como objeto, eu sou o mundo. A primeira categoria é a mistura, como óculos para enxergar a realidade: nenhum elemento subsiste sozinho, e o uno é o múltiplo interdependente, como no corpo de Cristo. Dela nasce a interdependência, negada pelas instituições dualistas, da escravidão à guerra que faz dos soldados escravos, e dela a relacionalidade, com os semelhantes e com os diferentes. A professora critica as ilusões libertárias da religião dualista, como os grandes templos e a monetarização da fé, contrapõe o direito a uma moradia digna e, na ecoteologia, une criação e evolução, sempre mutante.
  7. Feminismo: nenhum corpo é segundoA segunda palavra é feminismo. A sociedade dual é patriarcal, e no mito androcêntrico Adão vem antes de Eva, mas outras ordens míticas e a biologia mostram diferenças, e as primeiras imagens veneradas eram de mulheres parindo. A professora não pede que a teologia restaure mitos femininos, pede igualdade de direitos. Lembra que os evangelhos são posteriores e que a primeira carta aos Tessalonicenses é o documento mais antigo, e convida a rever as crenças, como vaga-lumes numa teia imensa. Ecofeminismo, porque a casa e os corpos das mulheres foram dominados: salários menores, o corpo visto como pecado, tabus sobre a menstruação, mulheres queimadas. Propõe pôr no museu as imagens androcêntricas do divino.
MÓDULO 6

Religião, poder e pluralismo

3 aulas

A tarde do último encontro parte de uma pergunta da turma: por que a religião atrai tanto? Ivone Gebara responde com a antropologia. A religião nasce das perguntas sobre a origem do mundo, dos enigmas da vida e da morte, da magia das transformações e da finitude humana, e as divindades aparecem como quem sabe o que não sabemos. Daí vêm as ideias de salvação e perdição, prêmio e castigo, céu e inferno, que servem também ao controle das consciências, como o olho de Deus que tudo vê, lido com Foucault como divindade panóptica que sustenta reis e tribunais. A turma lembra a dimensão comunitária que ampara a vulnerabilidade. Por fim, a professora mostra o pluralismo democrático dentro das igrejas, ouve a avaliação do curso, sugere encontros mais espaçados e se despede.

  1. A religião nasce dos enigmas e da finitude humanaPor que a religião atrai tanto? A professora parte da consciência humana de saber e não saber: alguém deve saber, e deve ser muito poderoso. A pergunta antropológico-filosófica sobre a origem do mundo aparece em todas as religiões, como nas cosmovisões africanas, com divindades da terra, das águas e da floresta ligadas ao caráter das pessoas. Somam-se os enigmas da vida e da morte, a dimensão mágica das transformações, como o ferro na forja, e os limites da doença e da morte. Das divindades se chega ao Deus único dos monoteísmos e ao Deus desconhecido de Paulo. A ideia de prêmio e castigo gera o céu e o inferno, feito das maldades humanas, e ajuda a controlar as consciências.
  2. O Deus que tudo vê e a comunidade que amparaNos três monoteísmos surge a ideia de que alguém me conhece melhor do que eu mesma, e Ivone Gebara a lê como forma de controle: Deus viu o que ninguém viu e cobrará nesta vida ou na outra. O olho de Deus no triângulo, ensinado às crianças, é aproximado, com Foucault, do panóptico das prisões, e a professora conta que na infância tinha medo de Deus. Esse poder divino sustenta reis católicos, protestantes e muçulmanos, a frase In God we trust e os crucifixos nos tribunais. Mesmo os ateus têm perguntas sobre sentido. A partir de comentários da turma, ela lembra que as religiões se encontram no respeito à vida e criam irmandades, do candomblé ao budismo, que amparam a vulnerabilidade.
  3. O pluralismo democrático entra nas igrejasA democracia nasceu elitista na Grécia, mas, quando passamos a eleger governantes, propostas diferentes convivem no mesmo país, e esse espírito, se não entrou totalmente nas religiões, entrou na vida de quem delas participa. A professora mostra tendências conservadoras e progressistas entre os presbiterianos, pastores gays e professoras lésbicas respeitadas entre os luteranos, e católicos divididos sobre a ordenação de mulheres e o papado. A hermenêutica bíblica também se torna plural, o que é rico e às vezes cansativo. Depois ouve a avaliação da turma, sugere encontros mais espaçados, com tarefas entre eles, indica seu livro de antropologia filosófica pela Editora Recriar e se despede do curso.