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Curso online · Bíblia

(Re)descobrindo a mulher na Bíblia

O que o texto diz e a tradição calou

Por que existe um curso sobre a mulher na Bíblia e nenhum sobre o homem? Quatro encontros para responder isso lendo os textos devagar.

38 aulas4 módulos 6h34 de conteúdolegendas em português
Professora
Karen Colares, professora do curso (Re)descobrindo a mulher na Bíblia
Karen Colares
Sobre o curso

O que você vai estudar.

O primeiro encontro é sobre as lentes. Antes de abrir qualquer texto, a professora percorre a história da teologia em três blocos e mostra o que cada um fez com as mulheres: o período patrístico e a Eva universalizada, com a suspeita moral e a tutela que dela decorrem; o medievo, a cultura clerical e celibatária, a hipersexualização e o controle estético minucioso; a modernidade, a legitimação biológica da inferioridade e a perseguição às bruxas. Desse quadro nascem os movimentos feministas, apresentados em quatro ondas, e os conceitos que o curso vai usar: androcentrismo, sexismo, misoginia, estereotipia, gênero, patriarcado e empoderamento.

O segundo encontro é o chão da vida. Texto não nasce no éter: nasce numa data e num lugar. Do lado do Antigo Testamento, as sociedades mediterrâneas e do antigo Oriente próximo, com parentesco determinante, genealogias patrilineares, divisão espacial rígida e a cultura de honra e vergonha. Do lado do Novo, os três elementos que o explicam: o judaísmo do segundo templo, a literatura entre os testamentos, onde Ben Sira inventa a mulher culpada, e a Roma imperial do pater famílias, com seus códigos domésticos. No meio disso, Jesus, que ensina também para as mulheres e põe a vida acima da lei.

O terceiro encontro entra no Antigo Testamento. Gênesis 38 traz Tamar, o levirato e a tenda patriarcal, onde o Senhor vê o que ninguém mais vê. O Cântico dos Cânticos devolve às mulheres um texto que a leitura alegórica havia esvaziado, com desejo simétrico e erotismo que não se reduz ao coito. E Provérbios 31 é lido sem o óculos da década de 50: a mulher de valor constrói onde lhe é possível construir, e no exílio isso era a casa.

O quarto encontro é o Novo Testamento, e começa pela boa notícia. Romanos 16 tem Febe levando, lendo e explicando a carta, Prisca citada antes do marido, dez mulheres entre vinte e sete nomes e Júnia, apóstola. Depois vêm as cartas pastorais, de outra geração e outro tom, com os adornos, o silenciamento e a salvação pela maternidade de Primeira Timóteo 2, lidos na sua ocasionalidade. O curso fecha na gênese de igualdade do evangelho e no convite a não deixar que outra parede de separação seja erguida.

  • ProfessoraKaren Colares
  • FormatoOnline, gravado, no seu ritmo
  • Aulas38 aulas curtas, de 10 minutos em média
  • Carga6h34 em 4 módulos
  • LegendasPortuguês
  • AcessoComputador e celular
  • CertificadoNos cursos livres ao vivo, para os planos Avançado e Fundador/a
Programa

Módulos e aulas.

38 aulas em 4 módulos. Quando a plataforma abrir, a primeira aula será gratuita: basta criar a conta, sem cartão de crédito.

MÓDULO 1

Por que a mulher sumiu do texto

8 aulas

O primeiro encontro não abre a Bíblia: limpa a lente. Karen Colares se apresenta, expõe o mapa dos quatro encontros e explica por que um curso sobre a mulher na Bíblia precisa começar pela história da teologia. A resposta é que quase tudo o que se ouve hoje sobre as mulheres do texto foi decidido antes, fora dele. A professora percorre três períodos. No período patrístico, a mulher é pensada como uma Eva universalizada, o que produz suspeita moral permanente e legitima a tutela; e o dualismo antropológico associa o masculino ao espírito e o feminino ao corpo, hierarquizando as duas coisas. No medievo, a virilidade vira medida de perfeição, a costela vira vocação de abnegação, e uma cultura clerical e celibatária, com medo da tentação, produz hipersexualização e listas sobre roupa, maquiagem e postura. Na modernidade o argumento passa a ser biológico, com Tomás de Aquino e o sexo único, e desemboca na perseguição às bruxas, com teologia, medicina e direito atuando juntos. Da reação a esse quadro vêm os movimentos feministas, apresentados em quatro ondas, do direito ao voto ao direito ao prazer sexual e à nomeação das microviolências. O encontro termina nos conceitos que serão usados o curso inteiro: androcentrismo, sexismo, misoginia, estereotipia, gênero, patriarcado e empoderamento. Entre eles, um achado que fica: as imagens femininas que a própria Bíblia usa para falar de Deus e de que quase ninguém se lembra.

  1. Apresentação da professora e plano do cursoKaren Colares se apresenta: teóloga, com especialização em Bíblia, mestrado em teologia sistemática e doutorado em Teologia da Práxis, professora e pesquisadora de gênero e interpretação bíblica. Publicou dois livros, um sobre submissão feminina e os textos usados para sustentá-la no Brasil, e Despertar, uma introdução às teologias feministas, com as potencialidades e os limites desse diálogo. Cristã desde os 15 anos, integra uma comunidade em Belo Horizonte. Diz o que espera do curso: mais do que transmitir conteúdo, construir junto com as alunas, que trazem experiência própria sobre ser mulher nas comunidades de fé. Em seguida abre o plano dos quatro encontros, da invisibilização feminina até os textos do Antigo e do Novo Testamento, e avisa que não existe um livro só que resuma o percurso.
  2. Por que redescobrir a mulher na BíbliaPor que um curso sobre a mulher na Bíblia, se ninguém oferece um sobre o homem na Bíblia? Porque há uma predominância da figura masculina na história da igreja e da teologia, e redescobrir é tirar camadas de terra de cima de textos, reflexões e traduções que foram negligenciados. A professora começa pelo período patrístico, do século I ao V. Duas noções nascem ali e continuam de pé: a Eva universalizada, que lança sobre toda mulher uma suspeita moral permanente e legitima a tutela masculina; e o dualismo antropológico, que divide o ser humano em corpo e espírito, hierarquiza as partes e associa o masculino ao que é superior. Paulo entra aqui mal lido: quando ele diz que o espírito milita contra a carne, carne é inclinação pecaminosa, não corpo.
  3. Virilidade, costela e o medo clerical da mulherA perfeição passa a ter forma masculina: mulheres eram estimuladas a abandonar a própria feminilidade, e até hoje sobriedade e intelecto soam masculinos. Da costela tira-se uma vocação de abnegação, uma existência voltada para o outro, e daí a dificuldade de reconhecer valor numa mulher que não está ligada a um homem. O medievo, de 500 a 1500, repete a interpretação e piora o quadro: princípios do direito romano apertam a situação das mulheres, e uma cultura inteiramente clerical e celibatária, com muito medo da tentação, passa a controlar no outro o que não controla em si. O resultado é a hipersexualização do feminino, com dois retratos possíveis para a mulher, e um controle estético minucioso que chegava à renda do véu usado para se confessar.
  4. Tomás de Aquino, a costela curva e a caça às bruxasO abandono da feminilidade vira forma de resistir ao demônio, e a mulher aparece como inimiga da devoção, uma Eva interposta entre Deus e o homem. No século XIII chega o argumento biológico: Tomás de Aquino escreve que só existe um sexo, o masculino, e que a mulher é apenas receptáculo, ideia cujo eco a professora reconhece na fala recente de um ex-presidente. A costela curva passa a explicar um defeito de formação da primeira mulher. Na modernidade, a perseguição às bruxas, iniciada na Idade Média e explodindo no século XVI, atinge mulheres que usavam ervas, faziam partos e rezavam por outras mulheres. Teologia, medicina e direito operam juntos: as acusadas eram mulheres, os juízes eram homens.
  5. Primeira e segunda onda: do voto ao direito ao prazerDiante dessa história, alguma reação era inevitável, e ela tem nome: os movimentos feministas, no plural. A primeira onda, do fim do século XIX ao início do XX, é sufragista, abolicionista e luta pelo acesso ao ensino superior. A segunda, dos anos 60, pleiteia autonomia, direitos trabalhistas, políticas públicas e o direito ao prazer sexual, que é onde os cristãos mais se desentendem com ela. A professora distingue o direito da promiscuidade e cita a pesquisa com 20 mil mulheres cristãs casadas publicada em Em defesa do sexo incrível. Uma aluna traz a fala de um bispo segundo a qual a esposa nunca pode negar sexo ao marido, e daí sai a leitura de Primeira Coríntios 7 recortada, a responsabilização da mulher pelo pecado alheio e a resposta de Jesus sobre o olhar impuro.
  6. Nomear a violência e o androcentrismo da linguagemA terceira onda, dos anos 90, é mais teórica; a quarta, de 2012 para cá, nomeia o que antes era naturalizado: assédio de rua, a interrupção sistemática da fala, o homem que explica a uma especialista a própria área. Uma aluna pergunta sobre o diálogo com movimentos que não são cristãos, e a professora responde que a igreja sempre dialogou com a cultura ao redor e que se recusar a isso é viver numa bolha. Em seguida vem o primeiro conceito do curso: androcentrismo, o masculino instituído como paradigma. Ele aparece na linguagem que se diz englobante e invisibiliza, no leitor que presume que o autor é homem, e na dificuldade de imaginar Deus em imagens femininas, num conhecimento de Deus que é sempre aproximativo.
  7. Imagens femininas de Deus, sexismo e estereotipiaExistem imagens femininas para falar de Deus, e a professora vai buscar em Lucas a tríade da misericórdia: o pastor que deixa noventa e nove ovelhas, o pai que espera o filho pródigo e a mulher que varre a casa atrás da dracma perdida, três parábolas em sequência, todas terminando em festa. Lembra ainda que misericórdia vem da palavra útero, e que Jesus se compara à galinha que junta os pintinhos sob as asas. Depois vêm três conceitos. Sexismo é preconceito fundado no sexo, e ela ilustra com o acidente que sofreu na BR, provocado por um motorista embriagado. Misoginia é aversão às mulheres. Estereotipia é o molde sólido, o rótulo generalizante que julga antes de conhecer.
  8. Gênero, patriarcado e empoderamentoSexo é anatomia; gênero é a construção social que se sobrepõe a ela, a expectativa do que um homem e uma mulher devem fazer, gostar e ser, colada sobre a criança desde o nascimento. Patriarcado é a organização de toda a vida em torno da figura do pai, e vale para todas as sociedades bíblicas, do período tribal ao pós-exílio. Empoderamento é a conscientização de grupos minorizados sobre a importância do próprio posicionamento: a mulher que prega com frequência desperta as outras mulheres da sua comunidade. A aula fecha o encontro recapitulando o percurso e anunciando o seguinte, em que serão estudadas as sociedades do Antigo e do Novo Testamento.
MÓDULO 2

O chão da vida em que os textos nasceram

11 aulas

Texto não nasce no éter. O segundo encontro reconstrói o ambiente sociopolítico dos dois testamentos, porque sem ele a leitura erra o alvo mesmo quando acerta as palavras. Do lado do Antigo Testamento, a professora trabalha com o que se repete em todas as sociedades mediterrâneas e do antigo Oriente próximo: o parentesco como definidor de identidade, a patrilinearidade visível nas genealogias, a herança que só passa por homens, a divisão espacial de homens e mulheres, o expressar-se em público como escândalo e a cultura de honra e vergonha, em que a conduta da mulher honra ou desonra os homens do seu grupo. Daí saem leituras novas de cenas conhecidas, como a de Marta e Maria, e explicações para o peso desigual da virgindade, do adultério e do repúdio numa sociedade em que se casava por volta dos 14 anos. Do lado do Novo Testamento, três elementos: o judaísmo do segundo templo, com a escola fechada às mulheres e a sinagoga aberta mas sem contá-las no quórum; a literatura entre os testamentos, onde Ben Sira firma a ideia da mulher como porta de entrada do mal no mundo; e a Roma imperial do pater famílias, cuja pirâmide as casas precisavam espelhar, de onde vêm os códigos domésticos que o cristianismo tomou de empréstimo. O encontro fecha com Jesus, que ensina também para as mulheres, amplia a família para além do parentesco e põe a vida acima da lei, e com Gênesis 2 lido de novo, palavra por palavra.

  1. Retomada, e por que o texto não nasce no éterAndré Anéas abre o encontro em nome do LabTEM, dá as boas-vindas às alunas e diz da alegria de oferecer um espaço de exegese bíblica e teologia feminista com a professora Karen Colares. Ela então retoma o encontro anterior, o androcentrismo da história da teologia, as ondas dos movimentos feministas e os conceitos, e anuncia o tema do dia: a ambientação sociopolítica dos dois testamentos, que é o chão da vida em que os textos foram gestados. Texto não nasce no éter, nasce numa data e num lugar, e com o contexto o texto se abre de outro jeito. Como o Antigo Testamento cobre um período imenso, do Israel tribal ao pós-exílio, ela trabalha com o que se repete e chama o conjunto de sociedades mediterrâneas e do antigo Oriente próximo.
  2. Parentesco, genealogias e o escândalo de Marta e MariaA primeira característica é a importância do parentesco: ser filho de alguém definia a identidade, sem a mobilidade social que temos hoje. E esse parentesco é patrilinear, o que se vê nas genealogias, construídas em torno de homens. A exceção é a de Mateus, que insere quatro mulheres envolvidas em escândalos sexuais, num arranjo teológico feito para falar de Maria. Como a herança passa de pai para filho, ficar viúva sem filhos era uma tragédia. A segunda característica é a divisão espacial, e ela muda a cena de Marta e Maria: o problema não é vida ativa contra vida contemplativa, é uma mulher sentada com um homem que não é do seu parentesco. Jesus responde pondo o discipulado acima da expectativa de gênero.
  3. Honra e vergonha: do silêncio em Corinto à legítima defesaA esfera pública tem nuances: mulheres pobres tinham menos honra a perder e circulavam mais. É nesse quadro que se entende a ordem de silêncio às mulheres em Primeira Coríntios, acomodação à cultura de um lugar onde falar em público envergonhava a comunidade. A cultura de honra e vergonha faz com que a conduta da mulher nunca seja sobre ela, mas sobre o pai, o irmão e o marido, e daí o peso desigual da virgindade e da fidelidade. Uma aluna lembra das meninas expulsas de casa quando engravidam, e a professora acrescenta a legítima defesa da honra, caída em desuso há muito pouco tempo. A aula termina na mulher listada entre posses no decálogo e no debate atual sobre monogamia, que ela propõe deslocar para o problema real, a dissimetria.
  4. Casados aos 14: noivado, repúdio e o dia a dia da mulherA média de idade para o casamento era de 14 anos, o que obriga a pensar melhor a conversa sobre virgindade, feita hoje para quem casa aos 30. O casamento era arranjado e servia para preservar patrimônio dentro do clã, e o noivado já tinha efeito jurídico, o que explica o escândalo em torno de Maria. O marido podia repudiar a mulher por coisa indecente, expressão que as escolas de Hillel e Shammai disputavam. O adultério dela era punido com apedrejamento; o dele, com indulgência. E o dia a dia dessa mulher não tem nada da domesticidade dos anos 50: ela guardava rebanhos, fazia pão e tecia. Uma pergunta da turma leva o assunto para fora do mundo bíblico, e a resposta é que Grécia e Roma também eram patriarcais.
  5. O judaísmo do segundo templo e a democratização dos donsPara entender o Novo Testamento são necessários três elementos: o judaísmo do segundo templo, o helenismo e a literatura entre os testamentos. A aula trata do primeiro. Os dois eixos da vida judaica eram a escola, de onde as mulheres estavam excluídas porque doutores da lei não as ensinavam, e a sinagoga, de que participavam sem serem contadas no quórum. Também não lhes eram exigidas as mesmas obrigações de oração. A professora contrapõe os símbolos de pertença: a circuncisão só alcança homens, o batismo alcança todos. E lembra os dons derramados sobre toda carne. Daí a comparação entre Gálatas 3,28 e Primeira Timóteo 2: o texto bíblico tem momentos disruptivos e momentos conciliadores, e o segundo tipo protegia um movimento marginal e sem poder político.
  6. Ben Sira e a invenção da mulher culpadaUma oração registrada no Talmude agradece por não se ter nascido estrangeiro, escravo nem mulher. A professora pede cuidado para não transformar isso em retórica antissemita: Jesus é judeu, e há nele continuidade e descontinuidade com a própria religião. Em seguida vem o responsável principal pela deterioração da situação feminina entre os testamentos, Ben Sira, aristocrata do século II antes de Cristo e autor do Eclesiástico, que ela lê em voz alta. É dele a ideia da mulher como porta de entrada do mal no mundo, retomada em Primeira Timóteo. Da culpabilização nasce a tutela: o duplo padrão moral, visível na cena de João em que só a mulher é julgada, e a docilização por prescrições sobre corpo, roupa, riso e gesto.
  7. Roma, o pater famílias e os códigos domésticosO terceiro elemento é o helenismo, isto é, a Roma imperial de cultura grega. A casa patriarcal é a célula que espelha o império: uma pirâmide com um pai no alto e todos os outros subordinados. Por isso existiam códigos domésticos, que distribuíam tarefas a maridos, esposas, filhos e escravos, e que o cristianismo tomou de empréstimo da cultura e encheu de justificativa cristã, como em Efésios. Não espelhar essa forma levantaria suspeita de insurreição. O império não protege o povo, protege os patriarcas proprietários, e as relações entre eles são de patrocínio e influência, o que ilumina o escândalo de Jesus à mesa com publicanos e prostitutas. Uma pergunta da turma sobre Primeira Timóteo e Gênesis é respondida no fim.
  8. Jesus ensina também para as mulheresDoutores da lei não ensinavam mulheres, e é contra esse pano de fundo que Jesus modela os próprios ensinos para alcançar os dois mundos: o grão de mostarda, da lavoura, e o fermento na massa do pão; a viúva de Sarepta ao lado de Naamã. Se ele ensina assim, é porque havia mulheres aprendendo. Depois vem Lucas 14,26-27, em que a lealdade ao discipulado é posta acima do parentesco, dito numa cultura que valorizava o parentesco ao extremo. A professora mostra o que isso desfaz no conselho dado hoje à mulher cristã casada com alguém que se opõe à sua ida à igreja. E lembra que Jesus cura corpos de homens e de mulheres, dignificando a integralidade humana.
  9. O corpo, a família da fé e a vida acima da leiO corpo feminino é tratado como posse pública, e a professora dá exemplos contemporâneos. A correção é a mesma de antes: em Paulo, carne é inclinação pecaminosa, não corpo, e o cristianismo é a religião do corpo, porque Deus se fez carne. Jesus questiona a família patriarcal ampliando o seu significado, ao dizer que sua mãe e seus irmãos são os que fazem a vontade de Deus. E relativiza a lei em favor da vida de uma mulher: na cena da adúltera, com soldados circulando e sem permissão romana para a pena capital, ele estava entre a cruz e o punhal e ainda assim decidiu pela vida dela. Que os redatores tenham escolhido guardar justamente as histórias que destoavam da conduta geral já é, em si, uma mensagem.
  10. Gênesis 2, o texto que chamam de pai do sexismoChega a hora do texto, e o primeiro é Gênesis 2,8-25, chamado por muita gente de pai do sexismo ocidental. A professora enfileira as interpretações correntes e as refuta uma a uma. Criar primeiro não estabelece superioridade, senão a terra seria superior ao ser humano. O termo adam quer dizer humanidade antes de virar nome próprio, e a tradução por homem falseia o texto inteiro, inclusive a quem foi dado o domínio sobre os peixes e as aves. Gênesis 1 e Gênesis 2 são de ambientes e autores diferentes. E há o gênero literário: relato mítico não é mentira, é linguagem que tenta comunicar o que excede a linguagem, como se lê um poema e não um código de leis.
  11. Nem costela nem ajudante: ezer, desejo e domínioSeguindo dentro de Gênesis 2, o boneco de barro é imagem poética da interdependência entre o ser humano e a terra. A mulher tirada do lado do homem não indica existência derivada: indica paridade, reconhecida na própria fala dele, osso dos meus ossos. Nomear, que naquelas culturas era forma de dominar, aqui serve para dizer que são da mesma qualidade. E ezer, o termo traduzido por auxiliadora, é usado para falar de Deus quando ele salva Israel: ela salva o masculino da solidão. Por fim Gênesis 3, em que a responsabilidade e as consequências são distribuídas entre os dois, e a frase sobre o desejo e o domínio é constatação do que a desobediência corrompe, não norma a ser repetida.
MÓDULO 3

Tamar, o Cântico e a mulher de valor

9 aulas

Com as lentes limpas e o chão da vida reconstruído, o terceiro encontro entra nos textos do Antigo Testamento. O convite é ler com suspeita, não porque a inspiração esteja em jogo, mas porque os textos se formaram numa cultura patriarcal, e boa parte do que os torna opressores está nas interpretações, nos sermões e na literatura devocional que os cercam. Gênesis 38 é o primeiro. Tamar fica viúva numa sociedade em que propriedade não circula na mão de mulheres; o levirato existia como remendo, e é justamente ali que ela é lesada, dentro da tenda patriarcal, por quem devia protegê-la, sem ter a quem recorrer, porque o sogro é também o juiz. A virada da narrativa, com o véu, o cajado, o anel e o cordão, não é modelo de conduta: é o momento em que ela deixa de esperar que outros decidam a sua vida. Depois vem o Cântico dos Cânticos, resgatado da leitura alegórica que apaga as mulheres nele: um texto erótico em que amado e amada se descrevem com as mesmas imagens, ninguém é ativo ou passivo, e o desejo não é recebido com dominação. E por fim Provérbios 31, lido sem o óculos da década de 50, que transformou o poema num manual de domesticidade. A mulher de valor do texto constrói na esfera que o exílio lhe deixou, que era a casa. Hoje as esferas são outras, e por isso a mesma coragem se exerce em outro lugar.

  1. O olhar de suspeita sobre o texto bíblicoA professora refaz a linha do curso antes de abrir o texto: o androcentrismo da história da teologia, os movimentos feministas, os conceitos, e depois o ambiente sociopolítico dos dois testamentos. O salto que ela agora explicita é que não é só a história que é androcêntrica, o texto bíblico também é. Por isso o convite é ler com suspeita, e ela deixa claro que a suspeita não tem nada a ver com a inspiração: é o reconhecimento de que textos se formam na vida concreta e de que aquela cultura era patriarcal. O texto bíblico é ao mesmo tempo fonte de opressão e de empoderamento, e boa parte do que o torna opressor está nas interpretações e nos sermões. Ela rememora ainda a dimensão pública que a casa tinha antes das revoluções industriais.
  2. Gênesis 38: Tamar, Judá e a lei do leviratoGênesis 38 é um texto de terror, daqueles que se teme ler diante da comunidade porque alguém pode achar que a conduta ali é para imitar. Tamar fica viúva numa sociedade em que propriedade não circula na mão de mulheres, e a lei do levirato existia como paliativo. Onã aceita a incumbência e a descumpre em segredo, o que nunca foi sobre masturbação: é lesão patrimonial e abuso, para não dividir a herança por três. O texto diz que o Senhor vê o que acontece dentro da tenda patriarcal. Judá promete o filho mais novo e não cumpre; enviúva, festeja e segue a vida, enquanto ela espera com a roupa da viuvez. Então vem a virada, marcada por uma sequência de sete verbos: o véu, o caminho de Enaim, o cordão, o cajado e o anel.
  3. O protagonismo de Tamar e a tenda patriarcalTamar reaparece em Mateus, entre as quatro mulheres que a genealogia insere. O texto constata a situação patriarcal e mostra o levirato como remendo, não como solução. E há um detalhe decisivo: Judá é o pai dos agressores e também o juiz, de modo que ela não tem a quem recorrer, situação que a professora aproxima de quem precisa denunciar o próprio pastor. O que acontece com Tamar é abuso sexual e espoliação patrimonial, e o duplo padrão moral está dentro da narrativa. A radicalidade final não é ponto imitável: é o momento em que ela deixa de esperar o protagonismo de quem não se importa com a vida dela. Um comentário da turma sobre a culpa que recairia sobre ela caso não engravidasse fecha o raciocínio.
  4. Cântico dos Cânticos e o mito da belezaO Cântico dos Cânticos é uma coletânea de canções eróticas, provavelmente cantadas em casamentos, e a leitura alegórica que o reduz a Cristo e a igreja apaga as mulheres que estão nele. A professora argumenta que o direito a uma sexualidade plena não deveria ser pleito só dos movimentos feministas, porque a situação das mulheres cristãs nesse terreno é particularmente ruim. Para descrever o quadro contemporâneo recorre a O mito da beleza, de Naomi Wolf, sobre pornografia, sadomasoquismo e ditadura da beleza, à pesquisa publicada em Em defesa do sexo incrível e ao trabalho de Valeska Zanello. Mostra ainda como a cultura de estupro aparece nas perguntas feitas à vítima num tribunal e na interpretação do não como charme.
  5. Simetria e erotismo no Cântico dos CânticosSexo continua sendo tabu nas comunidades de fé, e a instrução que sobra vem da pornografia e da ditadura da beleza. Entre dois extremos, o apelo à promiscuidade e a repressão que desqualifica a mulher interessada no próprio prazer, a professora vai buscar no Cântico um caminho. Ali amado e amada se descrevem com as mesmas metáforas pastoris, e nenhum dos dois é o ativo ou o passivo: os dois protagonizam a própria sexualidade. O livro se passa outra vez num jardim, mas agora o desejo da mulher não é recebido com dominação, e sim com acolhida recíproca. E o erotismo do texto não se reduz ao coito: está no cheiro, na roupa, na bebida, na voz e em tudo o que os dois fizeram durante o dia para seduzir um ao outro.
  6. O corpo desprezado e a exclusividade amorosaA beleza da criação é usada no Cântico para falar do corpo, e isso é um resgate necessário depois de séculos de dualismo. A professora lembra os jejuns severos e o silício do medievo e refaz a correção: mortificar o corpo não vence inclinação pecaminosa nenhuma. No caso das mulheres a hierarquia é dupla, porque o feminino foi amarrado à corporeidade. E a hiperexposição do corpo feminino não é adoração: é banalização, mercantilização e também humilhação, enquanto o corpo masculino segue protegido. O último elemento é o protagonismo e a liberdade sexual dentro de uma relação exclusiva, porque o Cântico nunca menciona casamento mas fala o tempo todo de exclusividade. Um comentário da turma traz o temor de perder a inspiração ao rever os textos.
  7. Provérbios 31 e o óculos da década de 50Depois de recapitular Gênesis 2, Gênesis 38 e o Cântico, a professora lê Provérbios 31 do verso 10 em diante, o poema da mulher de valor. Conta que na tese de doutorado levantou a bibliografia de uma editora calvinista conservadora voltada a mulheres, e cita um conselho que a impressionou, em que a esposa deve avisar o marido quando precisa descansar, sem usar isso para ficar à toa. O cerceio tem fundamento interpretativo no relato do pecado: quem tem pouco discernimento precisa de muitas instruções. E há o óculos com que se lê o poema, que é a década de 50: com o fim das guerras e a volta dos homens, constrói-se toda uma retórica da domesticidade, que hoje volta em forma de vídeos de pão caseiro e molho de tomate.
  8. A mulher do exílio e o ideal de domesticidadeA segunda consequência do discurso da domesticidade é o familismo, que tenta resolver com moralidade o que é demanda estrutural: sem creche, sem política pública e sem transporte decente, a culpa pela família recai sobre a mulher que trabalha fora. A professora então separa os dois ambientes que costumam ser confundidos. Na década de 50, as mulheres são empurradas da esfera pública para a privada. Em Provérbios 31, num contexto de exílio e pós-exílio, as instituições sociais estão reduzidas e a casa é a esfera de atuação possível. Além disso o ideal de domesticidade é classista, num país com tantos lares chefiados por mulheres. Mulher de valor é a que constrói com coragem onde lhe é possível construir.
  9. Feminismo, trabalho e onde está a inspiraçãoA professora desfaz a ideia de que os movimentos feministas desprezam donas de casa: o ponto não é eleger uma das duas coisas, é não tornar nenhuma delas normativa. Ocupar a esfera pública importa porque quem não tem renda fica despossuída e tem muito mais dificuldade de sair de uma relação abusiva. Ela cita pesquisas sobre maridos que pedem às esposas meio período e cursos considerados femininos, e reconhece estar ela mesma fora do padrão esperado, lembrando o pastor que dizia que a sociedade descambou quando as mulheres foram trabalhar fora. O encontro termina na pergunta que mais fica: por que localizar a inspiração justamente no que há de mais opressor, e não no princípio que o texto quis servir, que é a preservação da vida.
MÓDULO 4

Febe, Júnia e as cartas que calaram

10 aulas

O último encontro é sobre o Novo Testamento, e começa pela constatação que organiza tudo: o texto bíblico tem muitas vozes. Em alguns momentos ele rompe com a cultura, em outros se acomoda a ela para proteger comunidades minoritárias e sem poder político. Quando duas vozes apontam para lados diferentes é preciso critério, e o critério é Cristo, no sentido preciso da opção ética que Jesus faz sempre que a lei e a vida se chocam. A boa notícia é Romanos 16. Uma mulher leva a carta de Paulo de Corinto a Roma, e quem levava a carta também a lia e a explicava às comunidades. Prisca é citada antes do marido. Dez dos vinte e sete nomes são de mulheres. O verbo que Paulo usa para o próprio trabalho apostólico aparece em Romanos apenas para elas. E Júnia, lida como mulher e apóstola pelos comentaristas durante mil e duzentos anos, foi masculinizada depois sem base documental nenhuma. Depois vêm as cartas pastorais, de outra geração e outro tom. Primeira Timóteo 2 traz os adornos, o silenciamento e a salvação pela maternidade, e cada um deles é lido na sua ocasionalidade: carta não é tratado, e onde há placa há história. Primeira Coríntios 11 serve de contraprova, porque ali a mesma argumentação leva a outra conclusão e a mulher ora e profetiza. O curso termina na gênese de igualdade do evangelho e no pedido de que nenhuma outra parede de separação seja erguida.

  1. O pano de fundo do Novo TestamentoÚltimo encontro. Antes dos textos, a professora repassa o pano de fundo do Novo Testamento. O judaísmo do segundo templo é o anterior ao ano 70: com a destruição de Jerusalém surge outro judaísmo, o rabínico, e por isso o recorte. Nele, a escola está fechada às mulheres, a sinagoga está aberta mas não as conta no quórum, e delas não se exigem as mesmas obrigações litúrgicas, o que compõe uma inferioridade relativa. O helenismo traz a Roma imperial e o pater famílias, e com eles uma longa produção filosófica, de Platão a Sêneca, que fixa papéis sociais não intercambiáveis. E a literatura entre os testamentos importa mesmo numa cultura oral, porque antes de virar texto ela circulava como fala e já habitava o imaginário.
  2. O critério de Cristo e a carta levada por FebeO texto bíblico tem muitas vozes: ora rompe com a cultura patriarcal, ora se acomoda a ela. Por isso é preciso critério, e o critério é Cristo, entendido não como sentimento mas como a opção ética que Jesus faz diante da lei sempre que está em jogo a preservação da vida. Sim, isso é um cânon dentro do cânon, e a igreja sempre fez isso; o que muda é que agora a escolha se declara e se justifica. O primeiro texto é Romanos 16, persistentemente esquecido. Quem leva a carta de Paulo de Corinto às comunidades de Roma é uma mulher, e quem levava a carta também a lia e a explicava. Numa cultura em que a mulher sequer podia estudar a lei, Febe recebe a responsabilidade de interpretar Paulo diante de uma comunidade.
  3. Júnia, apóstola em Romanos 16Romanos 16 continua: Prisca e Áquila, Andrônico e Júnia, dois casais que partilham a liderança de igrejas domésticas, e num deles o nome da mulher vem primeiro, o que naquela cultura não é acaso. Dos vinte e sete nomes da lista, dez são de mulheres, e cinco delas recebem menção especial ao lado de seis homens. O verbo grego que Paulo usa para o próprio trabalho apostólico aparece quatro vezes em Romanos, todas para mulheres: Maria, Trifena, Trifosa e Pérside. E há Júnia, lida como mulher e apóstola pelos comentaristas durante mil e duzentos anos, masculinizada depois com o argumento de que o nome seria abreviação, embora haja mais de duzentos e cinquenta casos do nome feminino na antiguidade e nenhum da suposta abreviação.
  4. Das cartas de Paulo às cartas pastoraisHá uma forma mais sutil de apagamento, que é feminizar a contribuição: Evódia e Síntique aparecem em Filipenses como duas mulheres em desacordo, e a leitura corrente transforma um desentendimento ministerial em picuinha, o que não se faria com dois homens. Em seguida a professora apresenta a divisão dos escritos paulinos em três gerações e explica o que ela resolve: entre Romanos 16 e as cartas pastorais não há só mudança de tom, há mudança de autor e de momento. As pastorais são manual de treinamento para novos ministros, e trazem no pano de fundo uma disputa pela herança de Paulo. Que a realidade mude e o discernimento moral mude com ela não é novidade: os três códigos legais do Pentateuco já tratam as mesmas questões de modos diferentes.
  5. 1Timóteo 2: adornos, luxo e ocasionalidadePrimeira Timóteo 2 concentra dois problemas: os adornos e o silenciamento. Antes de qualquer conclusão, a professora insiste na ocasionalidade: uma carta não é tratado teológico, responde a algo que estava acontecendo, e sem aquela situação não se tem aquela aplicação. O capítulo começa com instruções sobre o culto, numa comunidade cristã minoritária entre maioria pagã e dependente da boa vontade das autoridades. O que parece estar em curso é que algumas mulheres chamavam atenção com a aparência, o que moralistas judeus e greco-romanos igualmente ridicularizavam. Um comentário da turma leva a conversa para a modéstia tratada como checklist de roupa, e para o elemento econômico que o texto de fato acentua, o luxo.
  6. A dupla moralidade das vestimentasA professora lê Primeira Timóteo 2 do primeiro ao décimo quinto verso e mostra que as instruções não se restringem ao culto. A assimetria salta: os homens recebem uma frase, as mulheres, uma longa pregação moral, e onde há placa há história. O alvo é o excesso, e a moldura é a espiritualidade, como se alguém pudesse causar melhor impressão diante de Deus com a própria figura. O erro é tomar a ocasionalidade como base para dupla moralidade, e ela dá exemplos do que hoje se perdoa nos homens e se cobra das mulheres, das regatas ao videogame. O que o texto diz daquela comunidade pode estar acontecendo na nossa com os homens, e perder isso de vista é perder o alcance do próprio texto.
  7. A responsabilização feminina pelo desejo alheioA responsabilização feminina pelo desejo alheio é o assunto desta aula, e a professora começa pela coletânea de reportagens que reuniu casos de estupro em toda hora, lugar e roupa, de dentro de um hospital a dentro de uma delegacia. A responsabilidade do pecado é de quem peca, e Jesus diz isso ao falar do olhar impuro. Dessa inversão nasce a cultura de estupro, e dela nasce também a tutela, com instruções sobre como a mulher deve falar, rir, gesticular e se vestir. Paulo já dizia que tais coisas nenhum poder têm contra a sensualidade, e a professora conta o caso de uma pregadora cuja roupa passaria em qualquer checklist e cuja conduta no púlpito era o oposto de modéstia. Modéstia se aplica a homens e mulheres, e alcança o luxo.
  8. O silenciamento das mulheres em 1TimóteoA proibição de ensinar não cai do céu: corresponde a um sentimento geral do âmbito helenista, reforçado pelo pano de fundo judaico, numa cultura em que a mulher sequer podia aprender a lei. A distância entre Romanos 16 e Primeira Timóteo se explica por contextos e autores diferentes, e hoje é muito mais ético não proibir mulheres de falar do que proibir. A professora mostra ainda que a submissão de que o texto fala é da ordem comunitária, não do casamento, e aproxima a passagem da glosa de Primeira Coríntios 14, provável acréscimo posterior. Se foi preciso dizer, é porque havia história, possivelmente um ensino duvidoso na comunidade. E a leitura de Eva ali é tipológica, não o retrato engessado que um leitor ocidental faz.
  9. O véu de 1Coríntios 11 e a salvação pela maternidadePrimeira Coríntios 11 serve de contraprova, porque é carta legitimamente paulina. O véu era provavelmente o penteado que marcava a mulher casada, e a questão de fundo é cultural. Paulo apela a tudo, à ordem da criação e até aos anjos, mas dissolve a hierarquia que ele mesmo cria: cabeça ali é fonte, como cabeceira de rio, e logo em seguida ele diz que o homem nasce da mulher e que os dois são um diante de Deus. Além disso a mulher desse texto ora e profetiza, ou seja, fala. A aula termina na salvação pela maternidade: lido devagar, com a intertextualidade de Gênesis 3,15, o verso não fala de cada mulher, fala de Eva e do nascimento do Messias, e a leitura compulsória contradiz a salvação pela fé.
  10. Uma gênese de igualdadeO fecho do curso refaz o percurso: o androcentrismo da história e da recepção do texto, o ambiente sociopolítico dos dois testamentos, os textos do Antigo Testamento e, hoje, a boa notícia de Romanos 16 e a notícia difícil de Primeira Timóteo. A professora lembra que João coloca as mulheres ao pé da cruz e que os evangelhos as põem na ressurreição e no anúncio dela, num tempo em que o testemunho feminino não era levado em consideração. O evangelho tem uma gênese de igualdade, e se ele derrubou a parede de separação, o trabalho agora é não deixar que outras sejam erguidas nas leituras e nas comunidades. O desejo final é que as alunas se reapaixonem por um texto difícil, distante e libertário.