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Curso online · Espiritualidade e Mística

A espiritualidade do Papa Francisco

A revolução da ternura

Quatro encontros sobre a revolução da ternura — a expressão que Francisco repetiu por doze anos e que, de doce, não tem nada: é um programa.

47 aulas4 módulos 7h57 de conteúdolegendas em português
Professora
Maria Clara Bingemer, professora do curso A espiritualidade do Papa Francisco
Maria Clara BingemerDoutora em Teologia pela Gregoriana · Professora da PUC-Rio
Sobre o curso

O que você vai estudar.

Francisco falava de uma revolução da ternura, e a expressão só parece branda. Ternura, ali, é o risco de encontrar o rosto do outro; revolução é ruptura, não retorno ao mesmo lugar. Em quatro encontros, Maria Clara Bingemer percorre os textos em que essa ideia ganha corpo.

O primeiro acompanha a Laudato si': o deserto como categoria bíblica, os desertos exteriores que se multiplicam porque os interiores cresceram, e a analogia entre o corpo da terra e o corpo da mulher, que a encíclica sugere mais do que diz. O segundo lê a Fratelli tutti, com o bom samaritano no centro e a pergunta que ela desloca — não quem é o meu próximo, mas de quem eu me torno próximo. O terceiro trata dos movimentos populares, que Francisco chamou de poetas sociais, e da tradição que vai de Rerum novarum a Medellín, Puebla e Aparecida. O quarto lê a Gaudete et exsultate: a santidade como vocação de todos, a classe média da santidade, os santos sem coroa nem capela.

A professora é doutora em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, foi professora por muitos anos na PUC-Rio e escreveu um livro sobre a exortação que fecha o curso.

  • ProfessoraMaria Clara Bingemer
  • FormatoOnline, gravado, no seu ritmo
  • Aulas47 aulas curtas, de 10 minutos em média
  • Carga7h57 em 4 módulos
  • LegendasPortuguês
  • AcessoComputador e celular
  • CertificadoNos cursos livres ao vivo, para os planos Avançado e Fundador/a
Programa

Módulos e aulas.

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MÓDULO 1

A revolução da ternura e a casa comum

10 aulas

Primeiro encontro, dedicado a montar o vocabulário do curso e a aplicá-lo ao documento em que ele aparece com mais força. A professora começa pela biografia de Jorge Mario Bergoglio e pelo conclave de 2013, passa pela etimologia das duas palavras — ternura, do latim tener, e revolução, que muda de sentido com a Revolução Francesa — e chega ao parágrafo da Evangelii gaudium em que o encontro com o rosto do outro é descrito como risco. Daí em diante o encontro é uma leitura da Laudato si': o deserto na história do povo de Israel, a conversão ecológica, e um subtexto que a professora persegue ao longo de toda a aula, o da terra lida em termos femininos — mãe e irmã, corpo fecundo que a exploração esteriliza. Fecha com o diálogo com a turma.

  1. O curso, a professora e o Papa da ternuraAula de abertura. Clara, do LabTEM, dá as boas-vindas e lê o currículo da professora: Maria Clara Lucchetti Bingemer é graduada em Comunicação Social e em Teologia pela PUC-Rio, com mestrado e doutorado em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, foi professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio e é assessora especial da reitoria para assuntos teológicos. Em seguida a professora explica o recorte do curso: entre tantas linhas possíveis do pontificado — a proximidade com os pobres, o discernimento inaciano —, escolheu a revolução da ternura, que atravessa os doze anos. Apresenta então uma biografia breve de Francisco, de Buenos Aires ao conclave de 2013, e conta que o conheceu pessoalmente quando ele era arcebispo.
  2. Ternura e revolução: as palavras e o risco do encontroA professora vai à etimologia, porque acha que ela ensina sobre aquilo que se vai refletir. Ternura vem do latim tener — delicado, macio —, e de um sentido físico, ligado à pele de uma criança, evoluiu para descrever o afeto. Revolução significava dar a volta e voltar ao início, um movimento cíclico; só com a Revolução Francesa passa a significar ruptura e transformação radical. Juntar as duas é, portanto, propor uma transformação profunda feita sem violência. A aula mostra onde essa proposta aparece: no número 88 da Evangelii gaudium, em que o Evangelho convida a correr o risco de encontrar o rosto do outro. Daí a professora aproxima Francisco de Emmanuel Levinas, para quem a ética é a filosofia primeira, e chega à cultura do encontro.
  3. Laudato si': o deserto, o exílio e a sedeComeça a leitura da encíclica sobre o cuidado com a casa comum. A professora segue a categoria do deserto, central na trajetória do povo de Deus: os quarenta anos depois da saída do Egito, os quarenta dias de Jesus, e o deserto como terra da morte, longe das fontes da vida. Mostra que o exílio na Babilônia é um segundo deserto, mais duro que o primeiro porque vem depois de o povo já ter conquistado a terra e construído o templo — uma sede que não é só de água, mas da presença de Deus. Em cima disso lê o número 217 da encíclica: se os desertos exteriores se multiplicam, é porque os interiores se tornaram tão amplos. A crise ecológica aparece aí como apelo a uma conversão interior, não apenas a uma mudança de prática.
  4. A Terra e o feminino: o corpo da criaçãoA aula desenvolve o que a professora chama de subtexto da Laudato si'. Parte da feminização da pobreza — o rosto da pobreza é cada vez mais feminino — e apresenta o pensamento ecofeminista, que aproxima a opressão da mulher e a da terra. Expõe também a crítica a essa tese: a dominação das mulheres é muito mais antiga que a exploração predatória da natureza, que coincide com a modernidade. Mesmo relativizada a conexão linear, permanece a analogia: a terra é um corpo cíclico, receptivo, que fecundado dá frutos e explorado sem limite seca. A professora mostra que a encíclica chama a terra de irmã e de mãe e conclui que, embora as menções diretas às mulheres sejam poucas, o feminino atravessa o documento.
  5. A terra que geme: o corpo ferido da mãeO tom da aula é o da denúncia. A professora lê as passagens em que a encíclica descreve a terra entre os pobres mais abandonados e maltratados, gemendo dores de parto, e mostra que Francisco cita o patriarca Bartolomeu para falar de uma violência contra o planeta descrita em termos de despojamento. A aproximação com a violência sofrida pelas mulheres é explícita e dura. O ponto teológico vem em seguida: nas Escrituras, as dores do parto terminam em alegria, porque delas nasce vida — e o que está acontecendo com a terra é o contrário, uma esterilização progressiva em que a dor não gera nada. A professora comenta ainda a queda da natalidade e fecha lembrando que a terra, como as mulheres agredidas, resiste.
  6. A economia dos corpos e a conversão ecológicaA aula retoma as mulheres da Bíblia que desobedeceram a um poder opressor em favor da vida, como as parteiras do Egito, e passa à pergunta prática: para onde leva a revolução da ternura, diante da crise climática e das migrações forçadas. A resposta da encíclica é a conversão ecológica, e a professora a lê junto com uma expressão que toma de Frei Betto: a economia dos corpos. O cristianismo, argumenta, é por excelência a religião dessa economia — batismo, eucaristia, matrimônio, tudo passa pelo corpo. Daí a crítica a uma espiritualidade de fuga do mundo e dos sentidos: o Espírito desce, a encarnação é movimento descendente. Somos terra e corpo, e é cuidando do corpo que se chega ao que nele habita.
  7. O subtexto do Gênesis e a inversão patriarcalA professora afirma a anterioridade da terra em relação à humanidade e, em paralelo, discute a anterioridade do feminino. Apresenta a leitura de Leonardo Boff, que em diálogo com pensadoras contemporâneas sustenta haver, sob o texto atual do Gênesis, um subtexto anterior relido pela ótica patriarcal dominante. Quatro símbolos teriam sido invertidos nessa releitura: a própria mulher, a serpente, a árvore da vida e a relação entre homem e mulher. A aula é cuidadosa em distinguir o que é fé no relato da criação e o que é construção cultural em torno dele, e mostra as consequências concretas da leitura invertida — a submissão, o medo, os preconceitos contra o corpo feminino que atravessam séculos e religiões.
  8. Cultivar e guardar: a ternura com a terraA aula enfrenta a acusação de que a Bíblia, ao mandar dominar a terra, teria autorizado a exploração predatória da natureza. A professora mostra que não é leitura correta: o mandato é cultivar e guardar, isto é, lavrar e ao mesmo tempo proteger, zelar, preservar — relação de reciprocidade responsável. Lembra que, segundo o Levítico, a terra não pode ser vendida em definitivo, porque pertence a Deus e os habitantes são hóspedes. Passa então às normas bíblicas sobre os outros seres vivos, inclusive o descanso do sábado estendido aos animais, para concluir que a Bíblia não autoriza antropocentrismo despótico. Fecha com a leitura de um poema de Adélia Prado e com a retomada do número 216 da encíclica.
  9. Diálogo: a ecologia como questão teológicaPrimeira parte do diálogo com a turma. Um participante traz um documento recém-publicado pela Comissão Teológica Internacional, que reforça a Laudato si' ao afirmar que a questão ecológica é também uma questão teológica: o modo como cuidamos da criação revela o modo como nos relacionamos com Deus. A professora concorda, observa que o tema implica o futuro da vida e comenta que as novas gerações chegam sensibilizadas para ele — a pauta de quem é jovem hoje é o planeta, mais do que os sistemas políticos e econômicos que mobilizavam a geração dela. Em seguida responde a uma pergunta direta sobre qual era a religião de Jesus, e a resposta abre o assunto que ocupará o resto do diálogo.
  10. Diálogo: o mesmo Deus nos dois TestamentosUma participante diz ter dificuldade de reconhecer o mesmo Deus no Antigo e no Novo Testamento, e a professora responde que a dificuldade é comum. Explica a novidade do monoteísmo de Israel diante das religiões cósmicas, descreve um Deus transcendente que não faz número com nada do que existe, e sustenta que a violência não está em Deus, mas na leitura que o escritor sagrado e a comunidade fizeram da sua experiência — leitura que vai sendo mitigada até o sermão da montanha. Fala da expectativa messiânica, da ruptura entre a sinagoga e o movimento nascido da ressurreição, e conclui que a pergunta de fundo é de que Deus somos crentes e de que Deus somos ateus.
MÓDULO 2

Fratelli tutti: a fraternidade e a amizade social

12 aulas

Segundo encontro, dedicado à encíclica de 2020 sobre a fraternidade e a amizade social. A professora parte da observação que organiza o documento: das três palavras de ordem da Revolução Francesa, liberdade e igualdade avançaram, a fraternidade quase não saiu do lugar — e sem ela as outras duas se fragilizam. O encontro acompanha o método do ver, julgar e agir. Primeiro o diagnóstico: os sonhos de integração que fracassaram, a globalização que conectou indivíduos sem superar o individualismo, a cultura do descarte que atinge idosos, pessoas com deficiência, pobres e migrantes, e a crise do nós. Depois a iluminação bíblica, com a parábola do bom samaritano no centro. Por fim as consequências — a melhor política possível, o destino universal dos bens e a memória que cura.

  1. Retomada: da ternura com a terra à fraternidadeA aula abre retomando o encontro anterior: o que significam as palavras ternura e revolução, e como o cuidado com a terra aparece na Laudato si'. A professora insiste no ponto que considera decisivo — a terra não é algo distante de nós, nós somos terra, e tudo o que acontece com o corpo do planeta acontece com o nosso. Dá exemplos recentes de catástrofes climáticas e lembra que, mesmo sem catástrofe, o clima mudou de comportamento. Daí passa ao documento do dia, a Fratelli tutti, assinada em 2020 sobre o túmulo de São Francisco de Assis, em Assis, na véspera da festa do santo. Explica a tese central: justiça ambiental e justiça social andam juntas, uma é causa e consequência da outra.
  2. O critério da salvação e a amizade socialA professora vai ao capítulo 25 do Evangelho de Mateus e observa o que ali não se pergunta: não se pergunta a quantas liturgias a pessoa foi, nem quantos atos religiosos realizou. O critério é ter dado de comer, de beber, vestido, visitado. Mostra que isso não é novidade do Novo Testamento — a regra de ouro da Torá já une o amor a Deus e ao próximo como duas faces da mesma moeda, e a primeira carta de João leva o argumento ao extremo. Em seguida explica a expressão que dá subtítulo à encíclica: amizade social não é a amizade particular que fecha a roda, mas a que abre. A aula termina com o gesto simbólico da assinatura do documento em Assis.
  3. Caim, os migrantes e a fraternidade abertaA aula percorre o que a encíclica entende por fraternidade: uma forma de vida com sabor de evangelho, um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço. A professora volta ao começo das Escrituras, à pergunta que Deus faz a Caim e à resposta que, segundo ela, poderia ser dada hoje por qualquer um de nós — e que reapareceu com força durante a pandemia. Mostra então como São Francisco de Assis funciona de farol nos dois documentos, na Laudato si' e aqui, e como a insistência em valorizar as pessoas independentemente do ponto da terra onde nasceram é alusão direta à tragédia dos migrantes, tema a que o Papa voltou ao longo de todo o pontificado.
  4. Com quem a encíclica conversaAula sobre a forma do documento. A professora mostra que a Fratelli tutti é construída em diálogo: com os padres da Igreja, que já afirmavam a destinação universal dos bens e diziam que o supérfluo de uns pertence aos pobres; com papas anteriores; com outras religiões, inclusive o grande Imã que assina trechos com Francisco; e com figuras de fora da Igreja Católica. Entre elas, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, cuja luta a professora liga à de Rosa Parks, e Desmond Tutu. Entram também filósofos e teólogos, e uma nota cita um poeta brasileiro, o que a professora comemora. O ponto é que a encíclica foi escrita a partir de convicções cristãs, mas aberta a todas as pessoas de boa vontade.
  5. A pandemia e os sonhos de integração que fracassaramComeça o diagnóstico da encíclica. A pandemia de covid-19 explodiu enquanto o texto era escrito e expôs a falsa segurança de quem confiava que a cultura tecnocrática protegeria de qualquer ameaça — além da incapacidade de agir em conjunto. Em seguida o documento constata que os grandes sonhos de integração da humanidade fracassaram ou enfraqueceram, e a professora percorre os exemplos: a Comunidade Europeia, a ideia de uma pátria grande latino-americana, o Mercosul. Lembra uma exortação de 1999 que pedia que o norte e o sul do continente se integrassem trocando recursos materiais e culturais, em vez de um polo dominar o outro, e constata que também aí pouco se avançou.
  6. A cultura do descarte e o atraso da ternuraA globalização conectou os indivíduos sem superar o individualismo, e disso nasce o que a encíclica chama de crise do nós. A professora desdobra o diagnóstico mais duro do documento, o da cultura do descarte: não é só descarte de objetos, é descarte de pessoas. Percorre as vítimas — os idosos, num tempo em que se vive mais sem necessariamente viver melhor; as pessoas com deficiência, que não produzem no ritmo exigido; os pobres, e entre eles sobretudo as mulheres; os migrantes. Mostra então o descompasso: houve progresso nas leis e nas instituições de direitos humanos, não na ternura. Escravidão, racismo estrutural, tráfico de pessoas e violência de gênero seguem sendo pão de cada dia.
  7. A crise do nós e a urgência do cuidadoA aula trata da comunicação. A professora descreve a abundância de meios convivendo com a escassez de fins: nunca se mandou tanta mensagem em tão pouco tempo, e nunca os horizontes foram tão curtos. As redes conectam todos com tudo o tempo todo sem gerar relacionamento, e ainda estimulam agressividade e ódio. A isso a encíclica soma uma crise da consciência histórica — a memória cada vez menos prestigiada, o desprezo pelas tradições, a sensação de que construir justiça e paz juntos é utopia de outros tempos. A professora reage lembrando que o ser humano é um ser histórico e que, na tradição judaica e cristã, é na história que Deus se revela. Daí a urgência do cuidado.
  8. O bom samaritano: tornar-se próximoDepois do ver vem o julgar, e a iluminação bíblica que a encíclica escolhe é a parábola do bom samaritano. A professora apresenta os personagens — o doutor da lei que faz uma pergunta cuja resposta deveria saber, o ferido sem identidade à beira da estrada, o sacerdote e o levita que passam, o samaritano que para. Lê o texto de Lucas e destaca o deslocamento que a parábola opera: a pergunta deixa de ser quem é o meu próximo e passa a ser de quem eu me torno próximo. A proximidade não é uma categoria que se constata, é uma iniciativa que se toma. E recuperar o sentido dessa palavra, num mundo de sócios e parceiros, é o caminho árduo da fraternidade.
  9. Fé e política: a melhor política possívelA aula trata da ligação entre fé e política, que a encíclica assume sem rodeios. A professora mostra que o documento analisa dois modelos atuais — os populismos e os liberalismos — e conclui que nenhum dos dois propicia o resgate da melhor política, aquela que está a serviço da defesa e da promoção dos direitos humanos. Sustenta que a política não pode ser subordinada à economia e que um governo não se mede só por crescimento econômico. Lembra a velha promessa de aumentar o bolo antes de reparti-lo e observa que esse dia nunca chega. Daí a exigência de pensar o bem comum a longo prazo, com responsabilidade intergeracional: a terra é empréstimo que cada geração repassa à seguinte.
  10. O destino universal dos bens e a dignidade infinitaA professora apresenta o princípio que considera o primeiro de toda a ordem ético-social: os bens da criação têm destinação universal, porque foram criados para o bem de toda a humanidade. Sobre toda propriedade privada pesa, por isso, uma hipoteca social — tradição que vem de longe na doutrina social da Igreja e que a encíclica reitera. Comenta a realidade fundiária brasileira à luz disso. Em seguida trata do direito ao desenvolvimento integral e da dignidade infinita de cada pessoa, que não se baseia em circunstâncias nem em desempenho. E critica a meritocracia que investe sempre nos ganhadores: investir nos mais frágeis pode não ser lucrativo, mas é o que a dignidade exige.
  11. Memória, justiça restaurativa e o irmão universalA aula fecha a leitura da encíclica por três temas ligados. A participação cidadã, sem a qual a democracia se atrofia e perde representatividade, porque deixa o povo de fora da sua luta cotidiana. A memória, que não é só perspectiva mais longa dos acontecimentos, mas tem poder de cura — e a professora lembra as mães que, na ditadura argentina, não deixavam esquecer a verdade sobre os desaparecidos. E a justiça: verdade, justiça e misericórdia são inseparáveis, e a justiça de Deus não é retributiva, mas restaurativa. Fecha com a rejeição da pena de morte e da guerra, e com a figura do eremita que quis ser irmão universal identificando-se com os últimos.
  12. Diálogo: o rosto de Deus na cultura de hojeDiálogo com a turma. A professora comenta primeiro uma observação sobre o conflito no Oriente Médio, insistindo que denunciar a desproporção de uma guerra não autoriza discursos antissemitas. Depois responde à pergunta central do encontro: que conceito de Deus a cultura atual alimenta. Descreve a presença forte de uma teologia da prosperidade, em que a riqueza é lida como bênção, e observa que o capitalismo penetrou na própria visão de Deus. Reconhece, no entanto, o que há de bom nessas comunidades, sobretudo a capacidade de acolher quem chega — algo em que diz que as paróquias católicas têm o que aprender. Fecha com o convite a sonhar, retomado de uma pergunta da turma.
MÓDULO 3

Os movimentos populares: poesia social e profecia

12 aulas

Terceiro encontro, sobre o apreço de Francisco pelos movimentos populares — não os pobres em geral, que já são prioridade do Evangelho, mas os pobres organizados em torno de causas comuns. A professora mostra que a raiz disso é anterior ao pontificado: está em Buenos Aires, nas comunidades das periferias que o então arcebispo visitava a pé e sem avisar, e na teologia do povo que o formou. Reconstitui a tradição social da Igreja de Rerum novarum ao Concílio Vaticano II e às conferências latino-americanas de Medellín, Puebla e Aparecida, e acompanha os três encontros mundiais dos movimentos populares, com a bandeira dos três T: terra, teto e trabalho. O encontro fecha com a expressão que dá título à aula — poetas sociais — e com a teopoética que ela abre.

  1. Os movimentos populares: poesia social e profeciaA professora explica o subtítulo que escolheu para a aula. Francisco tinha um apreço especial pelos movimentos populares, e não é o mesmo carinho que dedica aos pobres em geral: aqui são os que se organizam, trabalhadores sem direitos, famílias sem moradia, agricultores sem terra. Ela conta que esse vínculo nasce em Buenos Aires, onde ele foi arcebispo de 1998 a 2013, designava os padres mais capazes para as comunidades das periferias e aparecia nelas sem avisar, chegando a pé. Explica também por que fala em poesia e profecia: esses movimentos não são agremiações de materialistas, fazem música, arte e liturgia, e anunciam um tempo melhor. Fecha com uma observação sobre a amizade com os pobres.
  2. Quem são os movimentos e a tradição que vem de JesusA aula detalha quem compõe os movimentos populares: catadores de recicláveis, vendedores ambulantes, costureiras, pescadores, trabalhadores da construção, povos indígenas, comunidades camponesas — e, hoje, os motoristas e entregadores de aplicativo, que a professora lembra estarem na economia informal, sem carteira assinada. Apresenta a bandeira dos três T, terra, teto e trabalho, que Francisco chamou de direitos sagrados. Em seguida mostra que a preocupação vem de longe: o grupo que Jesus reúne é o mais heterogêneo possível e todos ali são pobres; as mulheres aparecem desde o início sustentando o grupo; e a Igreja primitiva ordena os primeiros diáconos justamente para cuidar das viúvas e dos órfãos.
  3. Do Vaticano II à teologia do povoPercurso histórico. A professora passa pela primeira encíclica social moderna, de 1891, que denuncia as condições de trabalho no auge da revolução industrial, e pelo documento que retoma seus temas em plena depressão dos anos 1930. Chega ao Concílio Vaticano II, convocado não para condenar heresias, mas para dialogar com o mundo moderno e aproximar-se dos pobres. Mostra como a recepção latino-americana radicaliza isso em Medellín, em 1968, com a proposta de uma troca de alianças — quatro séculos de Igreja aliada às elites num continente que seguia o mais desigual do mundo. Apresenta então Puebla, a opção preferencial pelos pobres e a teologia do povo que formou Bergoglio.
  4. Aparecida e o fim do assistencialismoA aula acompanha a crise argentina de 2001, que aprofundou drasticamente a pobreza no país e foi decisiva para o pensamento do então arcebispo — foi quando ele começou uma missa anual ao ar livre para os catadores. Depois percorre as conferências episcopais: o encontro de 1992, que a professora considera sem o sopro profético dos anteriores, e Aparecida, em 2007, onde Bergoglio chefiou o comitê de redação. O ponto que ela destaca do documento é a virada de perspectiva: considerar as comunidades marginalizadas como sujeitos capazes de criar a própria cultura, e não como objetos da caridade alheia. É a saída do assistencialismo, tema que ele desenvolveria como Papa.
  5. Roma 2014: o império do dinheiro e os direitos sagradosPrimeiro dos três encontros mundiais dos movimentos populares, realizado em Roma em outubro de 2014, com centenas de representantes, ligados ou não à Igreja. A professora lê o chamado à ação: o mundo precisa despertar para o lado sombrio da globalização e enfrentar os efeitos destrutivos do império do dinheiro — deslocamentos forçados, tráfico de pessoas, drogas, guerra. Resistir a isso não é programa político abstrato, exige solidariedade concreta, que ela define como uma forma de fazer história. Mostra ainda que Francisco distinguia com clareza os movimentos inspirados pelo Evangelho das ideologias populistas que manipulam o povo nos extremos do espectro político.
  6. Bolívia 2015: a globalização da esperançaSegundo encontro mundial, em La Paz, em julho de 2015 — e a professora observa que a defesa mais apaixonada dos movimentos foi feita na primeira viagem de Francisco à América Latina, que não foi à Argentina. O discurso propõe três frentes: colocar a economia a serviço dos povos, unir os povos em torno da paz e da justiça, e proteger a casa comum. A aula destaca a expressão que ele toma de um padre da Igreja para nomear a busca desenfreada pelo dinheiro, e o princípio de que o tempo é superior ao espaço: em vez de ocupar espaços de poder e colher resultados imediatos, semear o que outros verão germinar. Daí a fórmula que fecha a aula, a globalização da esperança.
  7. Roma 2016: a democracia que se atrofia sem o povoTerceiro encontro, em novembro de 2016, centrado na mobilização política. Às reivindicações dos três T somam-se a proteção das mulheres contra a violência, o acesso aos benefícios da tecnologia — a professora lembra a exclusão digital que apareceu nas aulas remotas da pandemia — e o fim das guerras. Francisco resume a filosofia dos movimentos como bem viver, em oposição ao ideal egoísta de levar a boa vida. A aula insiste num ponto que a professora faz questão de sublinhar: não há neutralidade possível em política, e a pretensão de neutralidade já é tomada de posição. Sem participação popular mais profunda, adverte a encíclica, a democracia se atrofia e se desencarna.
  8. O clamor da terra e o clamor dos pobresA aula costura o tema do encontro com o do primeiro módulo. Para Francisco não existe separação entre justiça ambiental e justiça social: a devastação da natureza é também agressão contra quem mais sofre com poluição, enchentes e eventos climáticos extremos — os mesmos que vivem às margens e que ele incentiva a se organizar. A professora lembra que os pobres sabem disso há muito tempo, antes de a comunidade científica reconhecer, e cita a sabedoria ancestral dos povos indígenas e das populações ribeirinhas. Apresenta então a ecologia integral, que afirma a inseparabilidade entre as dimensões pessoal, social e ambiental, e o chamado a defender a mãe terra.
  9. A estética da ternura e os quatro princípiosA aula desenvolve a ideia de que os movimentos populares fazem uma verdadeira estética da ternura. Francisco os chamou de semeadores de mudança, promotores de um processo feito de milhões de ações grandes e pequenas entrelaçadas como as palavras de um poema. A professora conta o caso de um amigo que acolhe os mais pobres em Salvador e sustenta a comunidade com o que cata no lixo, para mostrar o que significa criar algo a partir do nada. Apresenta então os quatro princípios que Francisco já havia formulado no início do pontificado — a realidade é superior à ideia, o tempo é superior ao espaço, a unidade prevalece sobre o conflito, o todo é superior à parte.
  10. Queridos poetas sociaisA aula se concentra na expressão que dá nome ao encontro. Numa mensagem em vídeo enviada aos movimentos populares em plena pandemia, Francisco os chama de poetas sociais, porque têm a capacidade e a coragem de criar esperança onde só aparecem o descarte e a exclusão — poesia, ali, significa criatividade. A professora comenta a imagem que ilustra o slide, um punho cerrado com uma flor dentro, e sublinha o que o Papa reconhece nesses grupos: a dedicação como palavra de autoridade, capaz de contradizer os adiamentos silenciosos a que foram submetidos. Mostra também que a expressão já aparecia no número 169 da Fratelli tutti, com a mesma força.
  11. Profecia e poesia: a esperança possívelAula de fecho do encontro. A professora desenvolve a teopoética: a luta pela sobrevivência mais básica pode conter inspiração poética e ser criação movida pela beleza, e aí teologia, literatura, estética e espiritualidade se conectam às ciências sociais. Sustenta que a transformação da realidade que assume forma de poesia é uma experiência de êxodo, saída de si em direção ao outro, e que a teologia precisa ser menos de textos e mais de testemunhas. Lembra uma pensadora que definiu a própria época como tempos sombrios e conclui que Francisco apresenta os movimentos populares como protagonistas de uma esperança possível, artesãos do futuro.
  12. Diálogo: a poesia do cotidianoDiálogo com a turma, todo ele em torno da ideia de que a poesia não mora só na contemplação da natureza. A professora conta o caso de uma aluna, mãe de família, que ouvia as aulas gravadas enquanto fazia as compras do mês, e de uma frase da neta pequena diante da morte — exemplos do que entende por poesia do cotidiano. Comenta a trajetória de uma mística norte-americana que, convertida durante a depressão, criou refeitórios e abrigos e foi presa várias vezes por protestar. Um participante traz um livro recente sobre o pontificado, escrito por um autor ateu, e a conversa fecha com a opção preferencial pelos pobres como marca da antropologia cristã na América Latina.
MÓDULO 4

Gaudete et exsultate: o chamado à santidade

13 aulas

Quarto e último encontro, sobre a exortação apostólica de 2018. A professora parte da Bíblia hebraica, em que só Deus é santo — santo no sentido de totalmente outro, não no do vitral —, e acompanha o percurso pelo qual essa santidade passa a habitar o ser humano. Daí decorre a tese do documento: todos são chamados, e ser santo é ser profunda e radicalmente humano. O encontro distingue felicidade de alegria, separa o santo do sábio e do herói, insiste que santidade não é performance nem campeonato de virtudes, e apresenta as duas categorias que a professora considera mais fecundas — os santos da porta ao lado, a classe média da santidade, e a santidade primordial de quem sustenta a vida em condições em que isso seria humanamente impossível. Fecha com o juízo final de Mateus 25 e a despedida do curso.

  1. Gaudete et exsultate: só Deus é santoA professora explica primeiro o gênero do documento: exortação apostólica, mais leve que uma encíclica e dirigida ao povo de Deus. Depois vai à Bíblia hebraica, em que só Deus é santo — e santo não quer dizer ali o que diz para nós, com imagem no vitral e vida exemplar, mas totalmente outro, diferente de tudo o que existe. Mostra como o Novo Testamento desloca isso ao proclamar Jesus o Santo de Deus, e distingue a possessão temporária dos profetas, que falam e depois pontuam que é Deus quem fala, da santidade que repousa e faz morada em Jesus. Com a ressurreição, o Espírito é derramado sobre toda a carne, e a santidade que ninguém podia ver sem morrer passa a habitar o ser humano.
  2. A santidade dada a todos e a alegria que a marcaA aula parte do dogma da inabitação do Espírito Santo para sustentar a tese do documento: a santidade é destino e meta de todo cristão, e o Papa escreve para convencer as pessoas de que santo não é o sujeito esquisito nem o personagem do vitral. Ser santo é ser profunda e radicalmente humano. A primeira chave de leitura está no próprio título, tirado do sermão da montanha: a alegria é a marca da santidade, e é uma alegria estranha, dirigida a quem é perseguido e humilhado. A professora explica que não se trata de canonizar a pobreza, mas de reconhecer que quem vive um desprendimento real dos bens entendeu o sentido da vida — e por isso é alegre.
  3. Felicidade e alegria: o segredo de LambarénéA aula se organiza em torno de uma distinção. A professora recorre a uma peça de teatro de um autor francês do século XX sobre a vida do teólogo, organista e médico que deixou a Europa para servir como médico na África. Numa cena no gabinete dele, em plena selva, a jovem enfermeira anuncia que vai voltar para a França porque acredita ter direito à felicidade — e ouve que a felicidade não existe, e que quem é digno dela compreende que não tem direito a ela sem assumir parte do fardo de dor que pesa sobre a humanidade. É então que se troca a felicidade pela alegria. A partir daí a professora separa a alegria, que é dom e convive com a tribulação, da euforia volátil.
  4. O santo excêntrico: vocação, não programaA aula distingue três figuras paradigmáticas da vida moral na antiguidade: o sábio, que alcança equilíbrio entre teoria e prática e cultiva a medida e a serenidade; o herói, que se entrega a uma causa maior que si mesmo com fortaleza de alma; e o santo, possuído por um desejo infinito de transcendência que para ele tem um nome. A professora passa pela etimologia de sanctus, ligada ao que é separado e reservado, e mostra a ousadia do cristianismo ao afirmar que o Santo se fez carne. Explica então por que chama o santo de excêntrico nos dois sentidos: por ser diferente, e porque o centro dele está fora dele. E lembra que o santo é sempre consciente da própria fragilidade.
  5. Santos sem coroa nem capelaA professora opõe duas formas de conhecer, a partir da controvérsia entre dois grandes pensadores do século XVII: o que diz que pensa, logo existe, e o que lembra que o coração tem razões que a razão desconhece. O santo conhece de outro modo — vai sendo levado, aprende a cada passo, não sabe o caminho inteiro. Daí a afirmação central da aula: santidade não é performance nem campeonato de virtudes, e a grandeza do santo não depende de reconhecimento social ou eclesiástico. A professora observa que a maioria dos canonizados são religiosos, porque um processo de canonização custa caro, e evoca figuras de fora da Igreja Católica que ninguém hesitaria em chamar de santas.
  6. A fé de testemunhas e os santos da porta ao ladoA aula trata do testemunho. A fé cristã foi, desde o começo, fé no testemunho de outros: uma cadeia de pessoas frágeis que diziam ter visto e se dispunham a morrer por isso. A professora cita a formulação de um teólogo latino-americano segundo a qual não se trata tanto de uma fé de textos, mas de testemunhas, e lembra alguns que pagaram caro por isso, de um arcebispo assassinado em El Salvador a uma comunidade jesuíta inteira. Mas insiste que santidade não é sinônimo de morte violenta — e chega à expressão que mais aprecia no documento, os santos da porta ao lado, que o Papa chama de classe média da santidade: pais, trabalhadoras, idosos que continuam sorrindo.
  7. A santidade primordialA aula apresenta uma categoria que a professora toma de um teólogo e aproxima da expressão do Papa: a santidade primordial, a de quem sustenta a vida em situações em que isso seria humanamente impossível. Mulheres que, depois de uma catástrofe, salvam o que dá e seguem cozinhando e cuidando dos filhos seus e dos outros; homens que movem montanhas de terra para resgatar soterrados. Quando a condição humana tem tudo para se degradar, muitas vezes ela se eleva. A professora conta também o caso de uma médica brasileira cujo soro caseiro derrubou a mortalidade infantil, e apresenta a categoria bíblica que identifica essas maiorias atingidas em cheio pelas sombras da morte.
  8. A vida severina e os cristãos anônimosA professora recorre a um poema brasileiro sobre um retirante para nomear a vida que acaba cedo demais, ameaçada pela fome e pela violência — e sustenta que quem cultiva e sustenta essas vidas é santo primordial, num heroísmo que consiste simplesmente em viver. Em seguida identifica o desafio mais radical que a modernidade coloca à religião: não o humanismo ateu, mas a indiferença. E apresenta a categoria cunhada por um grande teólogo alemão, a dos cristãos anônimos — homens e mulheres alcançados pela graça num século que foi chamado de século sem Deus, que não têm fé explícita mas têm fé real, e que agem conforme a própria consciência.
  9. Santidade anônima, batismo e a alma do mundoA aula sustenta que se pode falar de uma santidade anônima, que transforma a realidade sem confissão explícita de fé — abertura que o Concílio Vaticano II já havia dado ao reconhecer elementos de santidade fora do cristianismo. A professora conta o caso de um brasileiro que conheceu, afastado da fé eclesial e inteiramente fiel à ética que sempre o moveu. Depois volta ao batismo, que define não como detergente que apaga manchas, mas como mergulho na Páscoa de Jesus e nova identidade. E lê uma carta cristã do século II que compara os cristãos à alma do mundo: espalhados por toda parte, vivendo como todos, sustentando aquilo em que vivem.
  10. Ágape: a mística e o compromisso com a históriaA aula distingue as palavras gregas para amor e se detém em ágape, o amor oblativo que se dá sem outro interesse senão sair de si em direção ao outro. A professora sustenta que é na vulnerabilidade que os cristãos são chamados a dar a sua medida, e que tudo o que é dado ao santo o direciona para o sofrimento humano. Trata então de um ponto que lhe importa: a revolução mística acontece na intimidade do coração, mas não é inimiga do compromisso político. Observa que, onde a militância perdeu a conexão com a oração e a celebração, as pessoas acabaram abandonando também a militância, enquanto quem integrava as duas coisas permaneceu.
  11. Fé e justiça de mãos dadasA professora lê o capítulo 25 de Mateus como o critério último e observa o que chama atenção ali: o evangelista lista apenas as obras de misericórdia corporais, não as espirituais. É nelas que se dá o encontro com Cristo. Mostra que o Papa faz da exortação um apelo solene para que os cristãos recebam isso sem comentários nem desculpas que lhe tirem força, e que ele exorciza como tentação a santidade dos êxtases e dos fenômenos extraordinários. A aula fecha com a exigência de insatisfação permanente e com a afirmação de que fé e justiça caminham juntas — e com a observação de Tomás de Aquino de que a misericórdia agrada mais a Deus que os atos de culto.
  12. Diálogo: só se tem o que se dáPrimeira parte do diálogo final. Uma participante comenta a diferença entre ter e ser, e a professora acrescenta a formulação que organiza a conversa: no fundo, só se tem aquilo que se deu — o que se guarda e se tranca com medo de perder não é posse de verdade. Dá como exemplo o pai que anda descalço para que o filho tenha sapato e possa estudar, e encontra depois, na vida do filho, aquilo que deu. Em seguida responde a uma provocação: ela conheceu Bergoglio carrancudo na Argentina e viu outro homem depois de eleito. Atribui a mudança à alegria de estar no lugar onde sentia que devia estar, e conta episódios dos anos de ditadura que ouviu dele.
  13. Diálogo: santidade não é perfeccionismo, e a despedidaFecho do curso. Um participante pergunta quais são os riscos de instrumentalizar a fé e a santidade, e a professora responde que o risco sempre existe, porque somos humanos e nossa visão nunca é totalmente pura — mas que não se pode deixar de fazer o que se sente que Deus inspira por medo do risco. Comenta o que vê hoje no Brasil e relata o depoimento de um jovem francês que voltou à fé, sinal de uma redescoberta que observa entre jovens na Europa, advertindo contra a tentação de repetir o passado. A última pergunta, vinda do chat, é se não confundimos santidade com perfeccionismo — e a resposta é não, porque perfeccionismo é construção nossa e santidade se origina na graça.